Um email interno do Pentágono obtido pela Reuters, que teria circulado entre altos escalões do governo americano, lista opções para punir aliados da Otan considerados pouco colaborativos nas operações dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Entre as medidas em análise está a possibilidade de suspender a Espanha da aliança militar.
O documento foi elaborado por Elbridge Colby, principal assessor de política do Departamento de Defesa, e expressa frustração com países que, segundo Washington, não concederam apoio logístico básico — como acesso a bases militares, espaço aéreo e rotas de sobrevoo — durante o conflito. Esses elementos são conhecidos pela sigla ABO (access, basing and overflight) e são considerados, no texto, “o mínimo absoluto” esperado de aliados da Otan.
“Apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram por seus aliados, eles não estavam lá quando precisamos”, afirmou o porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, ao ser questionado sobre o conteúdo do email.
O email também sugere rebaixar países considerados “difíceis” em posições estratégicas dentro da aliança e até revisar o apoio diplomático dos Estados Unidos a territórios europeus no exterior, como as Ilhas Malvinas. O arquipélago é administrado pelo Reino Unido, mas reivindicado pela Argentina.
A irritação americana tem como pano de fundo a guerra contra o Irã. Desde o início do conflito, em fevereiro, o governo Trump vem pressionando aliados a participarem mais ativamente, especialmente na reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Ele também declarou que está considerando se retirar da aliança.
Países como Espanha, França e Reino Unido resistiram a se envolver diretamente nas operações militares, argumentando que isso equivaleria a entrar formalmente na guerra. Em Madri, o governo socialista foi além e recusou o uso de bases e do espaço aéreo para ataques contra o Irã.
A reação espanhola foi imediata. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que o país segue sendo um “membro confiável” da aliança e minimizou o teor do documento. “Não trabalhamos com base em emails, mas em posições oficiais de governo”, disse, durante reunião de líderes europeus em Nicósia, no Chipre.

