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O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta terça-feira, 26, que continuará apostando no diálogo, enquanto protestos antigovernamentais e bloqueios de estradas pedem sua renúncia. Paz assumiu o comando do país há apenas seis meses, encerrando duas décadas de governos socialistas liderados por Evo Morales, entre 2006 e 2019, e Luis Arce, de 2020 a 2025.
“A única maneira de ganhar hoje não vai ser com uma bala”, disse Paz em entrevista à emissora CNN. “Nunca vencemos com confronto. A metodologia do diálogo é muito mais corajosa do que o confronto das armas.”
Questionado se recorreria a um estado de exceção para conter a crise, o presidente de centro-direita respondeu que essa possibilidade está contemplada na Constituição. “Aqueles que não querem dialogar têm uma Constituição envolvida; esse é o limite”, afirmou.
A Bolívia enfrenta a pior crise econômica em cerca de quarenta anos, marcada por inflação elevada, escassez de dólares e aumento dos preços de produtos essenciais. Em abril, a inflação anual do país chegou a 14%. Pressionado, o presidente anunciou que reduziria seu próprio salário e o de seus ministros pela metade, numa tentativa de conter a crescente crise política.
Onda de protestos
A declaração ocorre em meio a uma onda de protestos que começou no início de maio com reivindicações sindicais — como reajustes salariais e críticas a uma lei sobre reclassificação de terras —, mas rapidamente passou a incorporar pedidos pelo fim do governo de Paz.
A crise se agravou o início deste mês, quando a Federação de Camponeses Túpac Katari iniciou um bloqueio “indefinido” de rodovias no oeste do país. Desde então, La Paz permanece parcialmente cercada. O movimento ganhou força com a adesão da Central Operária Boliviana, do grupo indígena Ponchos Rojos e de apoiadores de Evo, que organizaram uma marcha de cerca de 190 quilômetros rumo à capital.
Na semana passada, porém, as manifestações ganharam contornos mais violentos, envolvendo confrontos com a polícia, atos de vandalismo, ataques a prédios públicos e estações do teleférico da capital, além do saque de alguns estabelecimentos comerciais e da queima de viaturas.
Na segunda-feira 26, o Executivo anunciou a morte de um manifestante de 24 anos durante uma operação policial militar que buscava desbloquear La Paz no sábado. “Como governo nacional, expressamos nossas condolências à família e à comunidade; entendemos sua dor”, disse o porta-voz presidencial, José Luis Gálvez.

