InícioBrasilEldorado dos Carajás: violência e impunidade três décadas depois do massacre

Eldorado dos Carajás: violência e impunidade três décadas depois do massacre


Neste dia 17 completaram-se três décadas do massacre de 21 trabalhadores rurais sem terra, em Eldorado dos Carajás, no interior do Pará, um dos eventos mais vergonhosos da nossa história recente.

No dia 10 de abril de 1996 havia começado uma marcha de 1,5 mil trabalhadores sem terra até Belém, com o objetivo de reivindicar a desapropriação da fazenda Macaxeira, então ocupada por 3,5 mil famílias sem-terra. No dia 17 de abril, os 1,5 mil trabalhadores estavam acampados na curva do S, em Eldorado do Carajás.

O então governador do estado, Almir Gabriel (PSDB), resolveu impedir a chegada dos trabalhadores na capital, enviando mais de 155 policiais para reprimir os trabalhadores.

O contingente militar saiu do quartel sem as devidas identificações no fardamento e sob a ordem de “usar a força necessária, inclusive atirar”. O resultado foi a morte de 21 camponeses, 19 no local do ataque, e outros dois que faleceram no hospital.

A autópsia realizada nos 21 mortos revelou que 10 deles foram executados sem chance de defesa, com tiros acima do tórax, e vários deles tinham sinais de tortura cometida com seus próprios instrumentos de trabalho: foice, facão, enxada, etc.

A autópsia realizada nos 21 mortos revelou que 10 deles foram executados sem chance de defesa, com tiros acima do tórax, e vários deles tinham sinais de tortura cometida com seus próprios instrumentos de trabalho: foice, facão, enxada, etc.

Um episódio brutal que marcou a segunda metade dos anos 90.

143 policiais envolvidos no massacre foram absolvidos, o governador Almir Gabriel (PSDB) e o secretário de segurança pública (Paulo Sette Câmara) à época foram excluídos do processo.

Três dos quatro comandantes da ação já faleceram e não chegaram a pagar pelos seus crimes. Em 2012, o coronel Pantoja e o major Oliveira, então responsáveis pelo massacre, foram condenados pela justiça. Pantoja recebeu 228 anos e Oliveira, 158 anos de reclusão. Contudo, atualmente, nenhum dos dois está em regime fechado.

Esse episódio expõe a nu o caráter pró-latifúndio do Estado brasileiro, no contexto de uma brutal e histórica desigualdade social que há séculos vigora em nosso país, particularmente no campo.

Esse episódio expõe a nu o caráter pró-latifúndio do Estado brasileiro, no contexto de uma brutal e histórica desigualdade social que há séculos vigora em nosso país, particularmente no campo.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, o Brasil soma 1 morte no campo a cada 10 dias desde massacre de Eldorado dos Carajás. De 1996 até 2025 foram assassinadas 1.149 pessoas em conflitos por terra no país.

Não por acaso o dia 17 de abril converteu-se no Dia Internacional de Luta pela Terra e Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Desde então, a cada ano, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) organiza jornadas nacionais de luta em memória dos 21 mortos, por justiça e pela reforma agrária, pauta inscrita nas disposições gerais da Constituição cidadã de 88, mas que ainda segue paralisada por pressão dos grandes donos de terra.

O 17 de abril também tem que servir para reforçar o combate à narrativa em voga animada por certos segmentos políticos contra o MST, que o classificam como “terrorista”. Um ataque inaceitável contra um dos principais movimentos sociais de todo o nosso continente.

Por memória, Justiça e por reforma agrária.





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