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Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional do governo Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 22, que deixaria seu cargo. Na carta de renúncia endereçada ao presidente dos Estados Unidos, ela comunicou que o motivo da saída foi o diagnóstico de seu marido com uma “forma extremamente rara de câncer ósseo”.
“Neste momento, preciso me afastar do serviço público para estar ao lado dele e apoiá-lo integralmente nesta batalha”, escreveu Gabbard. “Abraham tem sido meu porto seguro ao longo de nossos onze anos de casamento — permanecendo firme durante meu destacamento para a África Oriental em uma missão conjunta de Operações Especiais, em diversas campanhas políticas e agora em meu serviço neste cargo.”
A saída do posto passa a valer a partir de 30 de junho.
Posição difícil
Ex-deputada do Partido Democrata, ela tem se tornado cada vez mais conservadora em temas como direitos reprodutivos e ações afirmativas, endossando a candidatura de Trump contra o democrata Joe Biden em 2024 e ingressando de vez no núcleo de poder do Partido Republicano ao aceitar um cargo em seu governo. No entanto, a imprensa americana reportou que havia certo mal-estar entre ela e o chefe, uma fez que Gabbard é defensora ferrenha da não intervenção militar — uma posição difícil de sustentar em meio à guerra no Irã.
De acordo com o portal de notícias Axios, ela teve dificuldades para se adaptar ao governo e administrar o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional e, no mês passado, escapou por pouco de ser demitida por Trump, que foi persuadido a adiar a decisão por seu amigo em comum, Roger Stone, um antigo conselheiro do presidente.
Em março, Joe Kent demitiu-se do posto de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, dizendo que não poderia permanecer e “em sã consciência” apoiar a guerra contra o Irã. Na época, o chefe do centro abrigado no guarda-chuva da diretora de Inteligência Nacional teve uma reunião secreta com Gabbard, com quem compartilha a postura anti-intervenção.
Disputa interna
Além disso, o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI, na sigla em inglês) também está envolvido em uma disputa de bastidores com a CIA há meses, que se tornou pública na semana passada durante uma audiência do Comitê de Segurança Interna do Senado.
Um funcionário da CIA que fazia parte do Grupo de Iniciativa de Diretores Especiais de Gabbard revelou que sua agência passou por cima do ODNI para descobrir mais informações sobre arquivos confidenciais sobre temas como o assassinato de John F. Kennedy, as origens da covid-19 e a chamada “síndrome de Havana”, uma doença misteriosa que afetou diplomatas americanos na capital cubana.
Um porta-voz da CIA contestou o depoimento, sustentando que a agência não obstruiu o ODNI de forma alguma.

