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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país deixará de realizar eleições, em mais um passo para consolidar o controle autoritário do governo que divide com a esposa, Rosario Murillo. O anúncio, feito durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Sandinista no domingo 19, indica que não haverá disputa eleitoral ao fim do atual mandato, previsto para 2027.
Ao discursar durante um ato em Manágua, Ortega declarou que pretende impedir qualquer possibilidade de a oposição voltar ao poder. “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, afirmou.
Segundo ele, a Assembleia Nacional trabalhará para aprovar “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”, acrescentou ele em sua primeira aparição pública em dois meses.
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O termo “somozista” faz referência à dinastia Somoza, família que governou a Nicarágua como uma ditadura hereditária de 1934 a 1979. O regime, que controlava o país por meio da Guarda Nacional e com apoio de Washington, foi derrubado pela Revolução Sandinista em 1979.
Durante a fala, Ortega também voltou a atacar os Estados Unidos, acusando Washington de interferir na América Latina e criticando a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.
O presidente nicaraguense não explicou de que forma a medida será implementada. A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em 2027, após reformas constitucionais que entraram em vigor neste ano ampliarem o mandato presidencial para seis anos.
Governo Ortega
Ortega, de 80 anos, governa o país desde 2007, depois de já ter presidido a Nicarágua na década de 1980, e vem ampliando gradualmente seu controle sobre as instituições. Em 2025, mudanças na Constituição oficializaram Rosario Murillo, sua esposa e então vice-presidente, como “copresidente”, reforçando a concentração de poder do casal sobre o Executivo, as Forças Armadas e o Judiciário.
O governo de Ortega e Murillo foi acusado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas de transformar o país “em um Estado autoritário” e de violar sistematicamente os direitos humanos.
A última eleição presidencial, realizada em 2021, foi amplamente questionada pela comunidade internacional após o governo prender pré-candidatos da oposição, líderes empresariais e intensificar a repressão contra dissidentes políticos.
A Nicarágua enfrenta uma crise política desde 2018, quando protestos contra o governo foram reprimidos pelas forças de segurança, deixando mais de 300 pessoas mortas.

