No programa Última Análise desta quinta-feira (09), os convidados falaram a respeito do expulsão do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado por autoridades como agente da inteligência militar da Rússia (GRU). O caso trouxe mais um ingrediente para o quadro de tensão com o americano Donald Trump. O republicano desejava que ele fosse extraditado os EUA, em vez de retornar à Rússia, por crimes lá cometidos.
“Já estamos em um conflito com os americanos, por causa das tarifas. É como se o Brasil não quisesse se alinhar aos Estados Unidos. Mais uma vez o Brasil se posiciona de forma clara, mas do lado dos russos”, explica o professor da FGV Daniel Vargas.
O caso ganhou repercussão internacional em 2022, quando Cherkasov tentou ingressar na Holanda utilizando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, supostamente um brasileiro nascido em Niterói (RJ). Segundo a inteligência holandesa, ele buscava assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, onde teria acesso a investigações sobre crimes de guerra atribuídos à Rússia na invasão da Ucrânia.
“O cenário geopolítico está mudando muito e episódios como este revelam mais do que algo provisório e momentâneo. Pode ser um verdadeiro realinhamento global. E, no caso, o Brasil não é com o mundo ocidental, mas com algo diverso”, lamenta o escritor Francisco Escorsim.
As entranhas da “trama russa”
Cherkasov é acusado de integrar um programa russo de longo prazo que utiliza o Brasil como plataforma para espionagem internacional. Esses agentes vivem no país por anos, aprendendo a língua e a cultura. Cherkasov chegou a ter namorada no Brasil e a ter aulas intensas de forró para parecer um brasileiro comum.
“Corremos o risco de virar um país que serve para que enviados cumpram missões de regimes autoritários passem informações para outros países. Esta é a postura que o país pretende ocupar no mundo?”, questiona Vargas.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

