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Cuba anunciou nesta terça-feira, 7, que restabeleceu mais de 30% do fornecimento de energia elétrica na capital, Havana, após um novo apagão generalizado deixar quase 10 milhões de pessoas no escuro. O colapso da rede elétrica ocorre em meio à crise de desabastecimento enfrentada pela ilha devido ao bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.
“O restabelecimento acontece de forma gradual, à medida que as condições permitem”, disse a Empresa Elétrica de Havana em comunicado, acrescentando que a operação dos serviços “vitais de saúde” de 43 centros de atendimento médico da capital foi retomada.
Segundo a empresa, já foram restabelecidos “circuitos de distribuição que beneficiam 262.369 habitantes”. Ao meio-dia de segunda-feira, o sistema de energia que abastece toda a ilha, onde vivem 9,6 milhões de pessoas, sofreu um “desligamento total”. O apagão foi o terceiro nos últimos seis meses e o oitavo desde o fim de 2024. As causas não foram informadas.
Rede energética cubana
Durante anos, o Sistema Elétrico Nacional cubano esteve sob forte pressão, sofrendo frequentemente avarias em centrais termoelétricas, escassez de combustível e períodos prolongados de manutenção, o que leva a apagões diários em grande parte da ilha e reflete a fragilidade da rede energética cubana.
Quase dois terços do país já estavam sem eletricidade quando a rede elétrica entrou em colapso nesta segunda-feira.
A situação energética de Cuba é agravada pela pressão internacional. Historicamente dependente do petróleo venezuelano, a ilha sofreu grandes reduções nas remessas após a operação militar americana na Venezuela em 3 de janeiro, que capturou Nicolás Maduro. Desde então, os Estados Unidos intensificaram o cerco ao complexo petrolífero de Caracas e fecharam acordos com o governo interino de Delcy Rodríguez que dão ao país de Trump mais controle sobre o combustível lá extraído.
Após a deposição do ditador chavista, Washington intensificou a narrativa de que Cuba representa uma “ameaça excepcional” à sua segurança nacional, devido às suas relações com países como China, Rússia e Irã.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, responsabilizou a política de sanções americana pela falta de energia na ilha.
“Enquanto os Estados Unidos tentam induzir uma explosão social por asfixia, ao bloquear os acessos de combustível a Cuba, a UNE (União Elétrica de Cuba) se mobiliza”, escreveu na rede social X (ex-Twitter). “É heroico o que os funcionários fazem em meio a um bloqueio energético genocida”, acrescentou.
Cuba necessita de aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia para atender sua demanda energética, mas apenas cerca de 40 mil barris são produzidos internamente. Desde janeiro, Washington permitiu que apenas um petroleiro russo atracasse na ilha, com 100 mil toneladas de petróleo.

