O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, afirmou nesta segunda-feira, 1°, que Brasil e China devem “repelir conjuntamente os desafios externos”. A declaração ocorre em meio à visita do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a Pequim para participar da quinta edição do Diálogo Estratégico Global, um mecanismo de coordenação política entre os dois países. A última edição foi realizada em Brasília em janeiro de 2024.
“A cooperação prática em todas as áreas tem sido constantemente aprimorada, e os dois povos nunca estiveram tão próximos”, disse Wang, salientando que o governo chinês apoia o Brasil na salvaguarda de sua soberania nacional.
No X, antigo Twitter, o Itamaraty informou que os representantes de ambos os países “repassaram a agenda bilateral e discutiram os principais temas do contexto geopolítico global”. Antes do evento com Wang, Vieira participou de reuniões com o vice-presidente, Han Zheng, e com o ministro de Comércio, Wang Wentao.
“Vieira e Wang Yi trocaram impressões sobre as reuniões com o vice-presidente Han Zheng e com o Ministro do Comércio Wang Wentao, que trataram, entre outros temas, das relações econômico-comerciais e da manutenção de suprimento estável de fertilizantes chineses para o Brasil”, acrescentou o Itamaraty.
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‘Confiança mútua’
O Diálogo Estratégico Global se estende até terça-feira, 2. Vieira chegou a Pequim no fim de semana, mas só deu início à agenda oficial nesta segunda. Antes disso, fez escala em Paris, na França, onde se reuniu com Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e candidata a secretária-geral da ONU. A candidatura é apoiada por Brasil e México.
Já na China, o ministro foi recebido no Grande Salão do Povo por Han. Na sequência, participou de um encontro com Wang Wentao para “tratar da relação econômico-comercial e do acesso ao mercado chinês de produtos brasileiros”, segundo o Itamaraty. Em coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que a expectativa é que os dois países estreitem ainda mais os laços.
“Esperamos que, por meio desta visita, a China e o Brasil consolidem ainda mais a confiança mútua política e estratégica, continuem progredindo na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, demonstrem senso de responsabilidade na promoção da solidariedade e da cooperação entre os países do Sul Global e contribuam para a paz e a estabilidade mundiais”, disse ele.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, o maior importador de produtos agropecuários e, desde o ano passado, o maior exportador de fertilizantes em volume. Em 2025, o fluxo de comércio bilateral registrou, pelo décimo ano consecutivo, novo recorde histórico, com US$ 170,9 bilhões. Os dois também são sócios fundadores do Brics e de seu banco de desenvolvimento, o NDB, em Xangai.

