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Brasileiro mobiliza ajuda para encontrar pai de 70 anos sob escombros na Venezuela


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Assim como milhares de famílias que seguem à procura de parentes desaparecidos após os terremotos que devastaram a Venezuela na semana passada, o brasileiro-venezuelano Daniel Medina vive a angústia de tentar encontrar o pai, Félix Tovar, de 70 anos.

Venezuelano com residência permanente no Brasil há quase duas décadas, Tovar dividia a vida entre os dois países. Há poucos meses, ele retornou à Venezuela depois de passar cerca de um ano e meio no Brasil. Morador de Caracas, estava hospedado em La Guaira, a região mais afetada pelos tremores, porque viajaria na sexta-feira 26 para o Chile, onde visitaria a filha, Elibel, e o neto.

Segundo a família, um funcionário da pousada onde o pai estava informou que ele havia saído para comer em uma padaria poucos minutos antes dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingirem o país latino-americano com um intervalo de apenas 39 segundos na noite da última quarta-feira 24.

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Daniel e a irmã iniciaram uma mobilização logo após a tragédia para reunir informações sobre o paradeiro do pai e arrecadar ferramentas e equipamentos destinados aos voluntários que atuam nos escombros.

“As buscas estão sendo organizadas em grande parte de forma voluntária pelas próprias famílias, então tem sido um processo muito frustrante pela falta de apoio”, disse Daniel Medina a VEJA, acrescentando que a família recebeu ajuda das autoridades brasileiras para acelerar as buscas após a repercussão do caso.

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O filho conseguiu confirmar, junto à operadora de telefonia, que o último sinal do celular do pai foi registrado às 19h19 daquele dia, em uma área próxima à padaria La Almendrina e ao Hotel Marriott, localizado ao lado. A família não descarta a possibilidade de que Félix tenha ficado soterrado em qualquer um dos dois locais.

Na terça-feira, o ministro da Defesa do Brasil, José Mucio, viajou à Venezuela para encontrar-se com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e afirmou que o Brasil está disposto a ajudar “no curto e médio prazo” a nação devastada pelos tremores.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mobilizou aviões da FAB para enviar ajuda humanitária, incluindo equipes de resgate e insumos médicos. Cerca de 100 militares brasileiros estão na zona de desastre.

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Na semana passada, o Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros — um homem e uma mulher — na tragédia que assolou o país vizinho.

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Tragédia

A situação enfrentada pela família de Daniel é semelhante à de muitos moradores de La Guaira e Caracas, onde quase 50 mil pessoas continuam desaparecidas sob os escombros de estruturas que desabaram.

O número de vítimas dos dois terremotos subiu para 2.595 mortos nesta quinta-feira. Segundo a presidente interina, Delcy Rodríguez, são mais de 12 mil feridos. A líder venezuelana também garantiu que todas as vítimas serão identificadas.

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“Desde o início, eu disse: ninguém vai para vala comum”, declarou Rodríguez em uma coletiva de imprensa. “A primeira coisa é o reconhecimento por impressão digital e, nos casos em que isso não for possível, recorremos à arcada dentária forense”, acrescentou.

As operações de resgate e ajuda continuam, enquanto agências das Nações Unidas alertavam para a escassez de alimentos e o risco de doençasA ONU calcula cerca de 7 milhões de desabrigados e prejuízos materiais de US$ 6,7 bilhões (R$ 34,6 bilhões), valor equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano.



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