Um ataques de mísseis balísticos da Rússia deixou ao menos 11 mortos e e quase 100 feridos em um evento da indústria da defesa na região de Kiev, afirmaram autoridades ucranianas à agência de notícias Reuters, nesta sexta-feira, 24.
“Uma operação de resgate está em andamento na região de Kiev após um ataque com mísseis russos”, disse o presidente Volodymyr Zelensky, em publicação no Telegram. Diversos representantes da indústria de defesa ucraniana estariam no local, segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, embora informações exata dos participantes não tenham sido divulgadas.
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Valerii Borovyk, fundador da empresa ucraniana de drones First Contact, confirmou à imprensa ucraniana que um míssil atingiu um campo de treinamento onde estava sendo realizada uma exposição da indústria de defesa.
Pouco antes, autoridades haviam relatado cinco mortos e nove feridos em decorrência de duas bombas guiadas russas lançadas contra a cidade oriental de Sloviansk, perto da linha de frente.
“Esta manhã, os russos lançaram duas bombas aéreas sobre a cidade. Dez casas particulares, uma empresa e as dependências do consulado honorário da República da Letônia foram danificados”, escreveu no Facebook o governador regional Vadim Filashkin.
Escalada
Em meio a uma nova escalada de ataques na guerra desencadeada pela invasão russa, drones ucranianos atingiram na manhã desta sexta-feira, um depósito perto de São Petersburgo da gigante russa do comércio eletrônico Wildberries, alvo de bombardeios pela terceira vez em poucos dias, informaram autoridades locais.
A ofensiva provocou um enorme incêndio. Em vídeos e fotos que circulam nas redes sociais, é possível ver o depósito sendo consumido pelas chamas e uma coluna de fumaça preta pairando sobre os prédios da segunda maior cidade da Rússia, localizada a mais de 800 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
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O Ministério da Defesa da Rússia informou em um comunicado que derrubou um total de 571 drones ucranianos durante a noite sobre cerca de quinze de suas regiões e sobre a península da Crimeia, anexada em 2014. Autoridades russas raramente admitem que as incursões de Kiev tenham atingido seus alvos e, em geral, limitam-se a informar o número de artefatos interceptados ou a atribuir os incêndios a destroços que caíram no solo.
Segundo Kiev, o momento é de avanços no campo de batalha. Ao longo de maio, a Ucrânia teria retomado mais território do que perdeu para a Rússia, interrompendo uma sequência de ganhos mensais das forças de Moscou. Segundo o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas, Oleksandr Syrskii, o resultado reflete uma estratégia voltada a sufocar a logística inimiga, com ataques cada vez mais frequentes a depósitos de combustível, munições e rotas de abastecimento.
Kiev chama sua campanha de “sanções de longo alcance” e sustenta que os ataques são uma represália justificada diante dos bombardeios noturnos com drones e mísseis contra suas cidades.
A ofensiva provocou escassez de combustível em toda a Rússia e, segundo o governo Zelensky, reduziu os recursos financeiros de Vladimir Putin para a guerra iniciada em 2022.
Em publicação no Telegram, Syrskii afirmou que a diferença entre as áreas recuperadas e perdidas no mês passado foi de quase 100 quilômetros quadrados em favor da Ucrânia. O portal ucraniano Militarnyi, citando fontes militares, estimou ganhos líquidos ainda maiores, de cerca de 120 quilômetros quadrados.
Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), centro de pesquisa sediado em Washington que monitora o conflito, apontam na mesma direção. Segundo a organização, a Rússia perdeu o controle de aproximadamente 280 quilômetros quadrados em maio, enquanto avançou sobre cerca de 40 quilômetros quadrados de território ucraniano.
Segundo dados divulgados por Kiev, drones ucranianos de curto e médio alcance atingiram cerca de 180 mil alvos em maio, um aumento de 12,7% em relação ao mês anterior. O governo também afirma ter ampliado sua capacidade de interceptar drones Shahed lançados pela Rússia, apesar da escalada nos ataques.

