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Os Estados Unidos e a Arábia Saudita informaram ter realizado ataques conjuntos, nesta quarta-feira, 29, contra o Iraque, visando “milícias terroristas leais ao Irã” que teriam realizado disparos contra o reino sunita nas últimas semanas. A incursão representa uma expansão do conflito no Oriente Médio, envolvendo agora grupos aliados à república islâmica.
Paralelamente, o Irã disparou ao menos cinco mísseis contra a Jordânia, aliada de Washington na região, e a Guarda Revolucionária Islâmica disse ter atacado e interceptado três petroleiros no Estreito de Ormuz, sustentando que detém “controle total” da rota marítima. A mídia estatal iraniana também relatou nesta quarta ataques americanos contra Piranshahr — uma cidade na região noroeste do país, na fronteira com o Iraque.
A troca de disparos ocorreu após uma breve pausa nos bombardeios, que haviam arrefecido desde a última sexta-feira 24. Segundo a imprensa americana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia decidido em favor de uma desescalada após ser aconselhado por militares de alto escalão e devido à escassez de munição. O ocupante do Salão Oval negou que esse tenha sido o motivo.
Combatentes iraquianos na mira
Os Estados Unidos e o Irã são os principais aliados do Iraque, deixando o país árabe em uma sinuca de bico que o transformou em palco de conflitos por procuração. A operação aérea conjunta desta quarta foi uma resposta aos ataques contra instalações petrolíferas sauditas realizados por grupos que a Arábia Saudita classificou como “milícias terroristas leais ao Irã” em solo iraquiano.
As Forças Armadas americanas informaram que instalações logísticas e de armazenamento de armas pertencentes a um grupo alinhado ao Irã foram os alvos da ofensiva desta quarta.
Segundo a aliança iraquiana Hashed al-Shaabi, os disparos mataram pelo menos 20 de seus membros em sete províncias, incluindo Bagdá. O grupo denunciou uma “escalada perigosa” contra uma “instituição de segurança oficial”.
A aliança Hashed al-Shaabi, também conhecida como Forças de Mobilização Popular, foi criada em 2014 para combater grupos jihadistas, antes de ser formalmente integrada às Forças Armadas iraquianas. Ela inclui brigadas pertencentes a facções apoiadas pelo Irã, as quais são conhecidas por agirem de forma unilateral. Recentemente, os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre Bagdá para que desarme grupos pró-Irã presentes em seu território.
Reação iraniana
O Ministério das Relações Exteriores iraniano também condenou os bombardeios ao Iraque, afirmando os Estados Unidos e Israel querem ampliar a guerra na região deliberadamente.
“Estes ataques alinham-se às aspirações dos Estados Unidos e do regime sionista de ampliar o escopo da guerra e do conflito na região da Ásia Ocidental”, declarou o ministério em comunicado, classificando as ações como uma “violação flagrante” da Carta da ONU e do direito internacional.
Referindo-se às suas operações militares desta quarta-feira, as Forças Armadas do Irã também comunicaram: “Enquanto persistirem as ameaças contra a república islâmica, a resistência continuará.”

