David Sánchez, irmão do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, foi condenado por má conduta administrativa e proibido de ocupar cargos públicos por nove anos, anunciou o tribunal de Badajoz, na região da Extremadura, nesta terça-feira, 14. A decisão intensifica a crise política que cerca o governo socialista.
David e outras dez pessoas foram acusadas de se beneficiarem da criação de um alto cargo cultural “desnecessário e vazio de conteúdo” pelo governo provincial de Badajoz, em 2017, que teria sido especificamente direcionado a ele devido à sua ligação familiar com o primeiro-ministro espanhol. O irmão de Pedro Sánchez atuou como coordenador dos conservatórios de Badajoz e, depois, passou a responsável pelo Gabinete de Artes Cénicas.
“Os réus exerceram um poder grosseiramente arbitrário com o único objetivo de favorecer indivíduos específicos”, diz a sentença, acrescentando que um dos cargos foi posteriormente alterado para atender ao interesse de David por ópera.
O tribunal, no entanto, o absolveu da acusação de tráfico de influência, que poderia ter resultado em pena de prisão. O julgamento ocorreu entre maio e junho.
Esposa de Sánchez julgada
A condenação de David ocorre menos de um mês após um tribunal espanhol determinar que Begoña Gómez, esposa de Pedro Sánchez, seja julgada por corrupção e proibida de sair do país. A medida obrigou Gómez a entregar seu passaporte e comparecer duas vezes por mês perante as autoridades judiciais até a conclusão do processo.
A investigação teve início em abril de 2024 após uma denúncia apresentada pelo grupo anticorrupção Manos Limpias, organização associada à extrema direita. O caso está relacionado à criação de uma cátedra na Universidade Complutense de Madri, que foi codirigida por Gómez, 55 anos. Os investigadores suspeitam que recursos públicos e relações pessoais tenham sido utilizados para beneficiar interesses privados.

