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Autoridades italianas reagiram ao mais novo ataque do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. O americano, que vem disparado críticas e alegações falsas a torto e a direito sobre a líder italiana nas últimas semanas, postou na sua rede social, a Truth, uma imagem manipulada em que sugeria a necessidade de uma medida protetiva contra a premiê.
Após a publicação, feita no domingo 5, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, aproveitou para alfinetar Trump ao enfatizar nesta segunda-feira a importância de se manter boas relações transatlânticas.
“As pessoas vêm e vão, mas as relações devem perdurar”, disse o ministro ao canal de notícias Sky TG24, dando a entender que os laços voltarão ao normal quando o mandato do republicano terminar. “Não tive nenhuma reação (à postagem); o fundamental é manter relações boas com um aliado-chave como os Estados Unidos.”
Já o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, afirmou estar “certo de que as relações transatlânticas vão muito além de declarações individuais”. Meloni não respondeu às novas provocações do americano, mas já tinha se dito “estarrecida” com alegações falsas sobre sua pessoa anteriormente.
Ao chegar à Turquia para a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta terça-feira, o presidente americano foi questionado sobre sua relação com Meloni e admitiu que ela “azedou”.
“Acho que ela é uma pessoa legal, pessoalmente. Nossa relação ficou ruim porque ela se recusou a se envolver na guerra contra o Irã e no Estreito de Ormuz. Eu gosto dela, temos uma relação boa, mas acho que ela cometeu um erro. Ela não estava lá para nós e eu não fiquei feliz com isso”.
Relação abalada
A relação entre a primeira-ministra da Itália e o presidente dos Estados Unidos era outrora vista como próxima — a mais fiel aliada do americano na Europa, continente que virou saco de pancadas preferencial do ocupante do Salão Oval durante seu segundo mandato, em especial dadas as semelhanças ideológicas entre a política italiana de extrema direita e o republicano cujo mote é tornar a América grande de novo.
Os laços, porém, toram testados por estranhamentos nos últimos meses, e abalados de vez por um desentendimento público no mês passado, quando a italiana acusou o americano de promover “ataques sem sentido”.
Foi uma resposta direta à declaração dada por Trump a um jornalista, quando o republicano afirmou que Meloni havia “implorado” por uma foto com ele na cúpula do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, na França.
A premiê refutou a alegação “completamente inventada”. No dia seguinte, porém, o presidente americano dobrou a aposta e foi às redes para reiterar a afirmação, dizendo que Meloni “está indo mal na Itália com seu nível de popularidade” e que, após os Estados Unidos “derrotarem militarmente o Irã”, ela quer ser amiga novamente para aumentar seus “números”.

