As negociações sobre o programa nuclear iraniano, previstas no acordo de paz assinado pelos EUA e Teerã na última semana, começaram em Zurique, na Suíça, neste domingo, 21. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o chanceler iraniano Abbas Araghchi, acompanhados de representantes dos países mediadores, Catar e Paquistão, iniciaram as tratativas.
Horas antes do encontro, no entanto, o vice-secretário de Comunicação e Divulgação de Informações do Gabinete da Presidência do Irã, Seyed Mehdi Tabatabaie, condicionou a implementação do acordo de paz ao término da guerra no Líbano.
“A implementação incondicional da primeira cláusula do acordo Irã-EUA é fundamental. A continuidade dos crimes do regime sionista no Líbano invalidará todo o acordo. A prioridade da equipe de negociação na Suíça é pôr fim à agressão no Líbano. Sem o cumprimento da primeira condição do acordo, não há confiança na implementação das demais disposições”, escreveu no X, antigo Twitter.
Estreito de Ormuz
A declaração ocorre um dia após forças iranianas ameaçarem fechar novamente o Estreito de Ormuz devido a novos ataques de Israel contra posições do Hezbollah, no sul do Líbano. A decisão foi divulgada pelas Forças Armadas iranianas por meio da agência estatal Fars, que atribuiu a medida ao descumprimento do pré-acordo firmado entre os países.
Como parte do acordo, um cessar-fogo envolvendo o Hezbollah no Líbano entrou em vigor na sexta-feira, 19. Porém, no sábado,20, Israel voltou a atacar o grupo, colocando a trégua sob pressão.
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), os bombardeios foram uma resposta ao lançamento de mais de 50 projéteis contra tropas israelenses durante a noite. Os militares afirmaram ter atingido lançadores de foguetes, depósitos de armas e centros de comando do Hezbollah. Já autoridades libanesas informaram que ao menos 20 pessoas morreram nos ataques.
Ao anunciar o novo fechamento de Ormuz, o Exército iraniano afirmou que a decisão foi tomada diante da “violação flagrante” do acordo e da continuidade dos ataques israelenses no sul do Líbano.

