Ler Resumo
O presidente chinês, Xi Jinping, exaltou a amizade “inquebrável” da China com o Paquistão nesta segunda-feira, 25, ao receber o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em Pequim. A visita marca o aniversário de 75 anos das relações entre as nações, mas é significativa especialmente devido à guerra no Irã, onde Islamabad atua como principal mediadora.
O Paquistão está entre um grupo exclusivo de países que Pequim considera um “parceiro estratégico para todos os climas”. Momentos antes do início da reunião, Xi afirmou que “apesar das instabilidades do mundo, a China sempre priorizou as relações com o Paquistão na vizinhança”, pedindo o aumento da cooperação na agricultura, indústria, inteligência artificial e cultivo de talentos com o Paquistão, disse a emissora estatal chinesa CCTV. Já Sharif defendeu o multilateralismo e chamou os países de “irmãos de ferro”.
Espera-se que os líderes discutam o conflito no Oriente Médio e, principalmente, a reabertura do Estreito de Ormuz, vital rota marítima por onde passa 20% do petróleo consumido no planeta. As autoridades também devem debater o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC, na sigla em inglês), um megaprojeto de infraestrutura para conectar o porto de Gwadar, no Mar Arábico, à região de Xinjiang, no noroeste chinês, por meio de rodovias, ferrovias, gasodutos e zonas econômicas especiais. O plano é parte central da Nova Rota da Seda chinesa.
Sharif viajou acompanhado do chefe do exército do Paquistão, Asim Munir, que esteve recentemente em Teerã para reuniões com lideranças do regime dos aiatolás.
O Paquistão, que têm bom trânsito com iranianos e americanos (endossaram até a candidatura de Donald Trump ao Nobel da Paz que nunca veio), emergiu como mediador do conflito travado entre Estados Unidos, Israel e Irã, e desempenhou um papel fundamental na negociação do cessar-fogo temporário anunciado no início de abril. Segundo autoridades iranianas, todas as mensagens a Washington continuam sendo transmitidas por meio do governo paquistanês.
A visita do premiê paquistanês ocorre após Xi receber o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, em um momento em que Pequim quer se posicionar como ponto focal da diplomacia global.

