O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu que o Brasil siga negociando com os Estados Unidos para tentar reverter tarifa de 25% imposta a produtos brasileiros a partir desta quarta-feira (22).
Em conversa com a CNN, o governador destacou que, “por mais que tenha havido alguma negociação, ela não foi suficiente”. O estado de São Paulo deve ser um dos mais afetados pela nova alíquota imposta pela Casa Branca.
“Houve algumas rodadas de negociação. E muitos itens constam na lista de exceção. Mas há ainda uma parcela importante de produtos sobretaxados, o que acarretará prejuízos importantes para empresas de setores como madeiras e máquinas”, destacou.
Tarcísio ainda destacou que, embora os Estados Unidos tenham apresentado questões desarrazoadas, estava claro que também eram tratados assuntos e interesses comerciais.
“Os americanos têm interesse em determinadas pautas que são conhecidas. O Brasil, por outro lado, também quer defender o seu interesse. Em qualquer negociação, devemos saber aonde queremos chegar e o que o outro lado quer. Em que estamos dispostos a ceder e até aonde podemos ir”, afirmou.
O governador paulista ressaltou que muitos especialistas alertaram para a necessidade de ficar atento à investigação da seção 301, apontada pelos Estados Unidos como razão para a nova alíquota.
“Por mais que tenha havido alguma negociação, ela não foi suficiente. Cabe agora seguir negociando”, destacou.
Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram os maiores impactos do tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, segundo a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Os cálculos da entidade divulgados na sexta-feira (17) indicam que metade das exportações brasileiras aos norte-americanos sobretaxadas têm origem nesses dois estados.
De acordo com a Apex, 2.375 produtos brasileiros vendidos aos EUA serão impactados pelas tarifas de 25% e de 12,5%. Em valor exportado, a agência calcula US$ 7,2 bilhões (cerca de 19,2% do valor total exportado em 2025).
A aplicação da sobretaxa de 12,5% sobre o Brasil ainda está sendo analisada pelos americanos com base em uma investigação sobre trabalho forçado.

