O presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), espalhou informações falsas a respeito das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas e embaixadores nesta terça-feira (21), em Brasília, repetindo episódio semelhante do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado no processo da trama golpista.
Diante de uma plateia estrangeira, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic —que, segundo um relatório da CIA divulgado na semana passada, estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. A agência de inteligência dos EUA diz que a ideia era alterar votos por meio da programação das urnas.
Flávio mencionou o relatório da CIA e pediu aos diplomatas que enviem o maior número de observadores estrangeiros possíveis para a eleição de 2026.
“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse Flávio.
Ele afirmou também: “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”.
Flávio participou de uma rodada de eventos com presidenciáveis promovida pela consultoria de comunicação Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report. A palestra reuniu “lideranças brasileiras e embaixadores, cônsules, chefes de missão e representantes diplomáticos”, segundo os organizadores. Havia representantes de EUA, União Europeia, China, Reino Unido e outros países.
A reportagem procurou a pré-campanha de Flávio para comentar as declarações do senador, mas ainda não houve resposta.
A Folha já desmentiu boatos relativos à Smartmatic em 2020. A Justiça Eleitoral declarou, em uma nota de 2020, que a empresa venezuelana nunca vendeu urnas ou softwares utilizados em urnas para o Brasil, apesar de ter fornecido outros serviços, como treinamento de pessoas para realizarem suporte técnico e operacional para as urnas.
“A Smartmatic celebrou contratos com o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] em outras ocasiões somente para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo”, diz uma nota da Justiça Eleitoral a respeito desse boato.
No mesmo evento, Flávio comentou sobre a reunião de Bolsonaro com embaixadores, afirmando que o pai está inelegível e preso por ter manifestado “uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral” para que os embaixadores “levassem esse cenário de preocupação para os seus países”.
Em 2023, o TSE condenou Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos por causa de uma reunião promovida por ele com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
Na ocasião, a menos de três meses da eleição de 2022, Bolsonaro fez afirmações falsas e distorcidas sobre o processo eleitoral, alegando estar se baseando em dados oficiais, além de buscar desacreditar ministros do TSE. O ex-presidente foi condenado por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação .

