O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 21, que “não terminou de jeito nenhum” sua campanha militar contra o Irã, sugerindo que o próximo alvo pode ser um complexo nuclear subterrâneo conhecido como montanha Pickaxe.
“Vamos atingir essa área (montanha Pickaxe) muito em breve, e com muita força”, disse Trump, acrescentando que normalmente não anunciaria seus alvos militares, mas que “não há nada que (os iranianos) possam fazer a respeito”.
A montanha citada por Trump abriga o coração do programa nuclear iraniano e fica ao lado da usina de enriquecimento de urânio de Natanz, uma das principais instalações nucleares do país. O local foi atacado anteriormente por Israel e pelos Estados Unidos, mas ainda não está claro qual foi a extensão dos danos.
Não é a primeira vez que o republicano fala sobre atacar o local. Na semana passada, Trump já havia afirmado que os EUA iriam “eliminar a montanha de Pickaxe”, durante uma entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt. “Digam aos iranianos para estarem preparados […] provavelmente vamos atacar Pickaxe em um futuro relativamente próximo”, afirmou ele há uma semana.
Também nesta terça, durante uma reunião na Casa Branca com o presidente libanês, Joseph Aoun, o ocupante do Salão Oval estimou que o Irã levaria mais de 20 anos para reconstruir os danos provocados pela guerra.
“Se partíssemos agora, o Irã levaria 20, 25 anos para se reconstruir. Mas não terminamos de jeito nenhum”, afirmou.
Escalada do conflito
As declarações de Trump ocorrem em meio a uma escalada do conflito no Oriente Médio. Nesta terça, o Irã atacou instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia, após as forças dos Estados Unidos bombardearem alvos no sul do território iraniano durante a madrugada.
O Centcom, comando miltar americano responsável pelo Oriente Médio, informou ter concluído sua mais recente rodada de ataques contra o Irã. Segundo o Exército dos Estados Unidos, foram atingidos centros de comando militar, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea iranianos.
Explosões foram ouvidas nos arredores da cidade de Shiraz, no sul do Irã, enquanto Konarak e Chabahar também foram alvo de ataques, segundo a mídia estatal.
No domingo, Trump afirmou que as últimas ofensivas militares contra o Irã foram uma homenagem aos membros das forças armadas americanas mortos nos últimos dias.
Tensão no mar
A troca de ataques ocorre um dia após uma nova ameaça ao tráfego marítimo na região. Os rebeldes hutis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram na segunda-feira um embargo marítimo contra a Arábia Saudita.
Em comunicado, o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que o bloqueio entra em vigor imediatamente e classificou a Arábia Saudita como um “inimigo criminoso”. Segundo ele, a medida segue a lógica de “olho por olho” e é uma resposta ao que chamou de “cerco injusto e opressivo” imposto por Riade ao Iêmen ao longo de quase 12 anos.
Esforços diplomáticos
Apesar da escalada militar, seguem os esforços diplomáticos para restaurar o cessar-fogo firmado no mês passado. Nesta segunda, Teerã afirmou continuar suas conversas com os Estados Unidos através de mediadores.
“Fomos informados pelos mediadores, recebemos mensagens — sem entrar em detalhes —, mas o essencial é que o aparato diplomático esteve ativo nos últimos dias”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa em Teerã.
Paquistão, Catar e Omã participam das negociações entre Teerã e Washington.

