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Flavio Bolsonaro é evitado por centrão perto das eleições – 21/07/2026 – Política


A poucos dias da convenção que formalizará seu nome como candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro não conseguiu convencer políticos do centrão a apoiarem seu nome. Há reclamações sobre indisposição para o diálogo e falta de estratégia do pré-candidato, antes visto como o nome da família Bolsonaro com mais capacidade de articulação política.

As críticas apontam que, quando ele pediu apoio do União Brasil e do PP, não estava disposto a discutir sugestões de participação num eventual governo bolsonarista, resolver impasses nos estados ou debater propostas conjuntas.

No caso do Republicanos, a reclamação vai além, pois nem sequer houve contato direto do pré-candidato com a cúpula do partido.

Para os dirigentes dessas siglas, Flávio quer apoio sem estar disposto a nada em troca; assim, seria melhor para as legendas do centrão concentrarem seus recursos na eleição de deputados federais, em vez de coligar com o PL e serem obrigadas a partilhar o fundo eleitoral com a campanha presidencial.

Congressistas da federação dizem que os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, senador Ciro Nogueira (PI) passaram até a evitar contato com ele para não serem obrigados a negar pessoalmente a aliança. Os dois eram anteriormente próximos a Flávio para além da política.

Em abril, eles afirmaram à Folha que um apoio da federação ao pré-candidato do PL “só dependeria” da moderação do discurso. “Ele tem tudo para receber nosso apoio”, declarou Ciro Nogueira na ocasião.

O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), admitiu o isolamento ao afirmar que Flávio deve fazer a convenção, neste sábado (25), sem ter fechado um vice para sua chapa.

A queixa compartilhada por integrantes de União Brasil, PP e Republicanos atinge também Marinho. Lideranças apontam que ele concentrou decisões da pré-campanha, não colaborou para a formação de alianças e isolou Flávio de discussões nos estados.

Parlamentares do centrão ouvidos de forma reservada pela Folha afirmam que a pré-campanha foi marcada por uma série de erros, entre eles buscar coligações com essas siglas na última hora.

Mesmo aliados do senador admitem que crises envolvendo sua candidatura, como o caso Dark Horse e a briga com Michelle Bolsonaro (PL), embora não tenham impactado, na visão deles, o percentual de votos de Flávio, acabaram atrasando o trabalho de articulação política.

A falta de legendas aliadas compromete a escolha de um vice —os principais nomes cogitados são mulheres do Republicanos e do PP— e tira de Flávio a possibilidade de aumentar a verba do fundo eleitoral e o tempo de propaganda de rádio e TV. A equipe do senador, no entanto, minimiza esse problema, lembrando que o PL sozinho tem mais tempo e mais verba do fundo que o PT. Lula, porém, concorre em aliança com as federações de PT/PV/PC do B e do PSOL/Rede, além de PDT e PSB, o que tende a lhe dar uma fatia maior na grade da propaganda eleitoral.

No topo do ranking do fundo eleitoral, a federação União Progressistas (formada por União Brasil e PP) é considerada uma parceira estratégica para o PL, mas líderes desses partidos não escondem a insatisfação com Flávio e dizem que a maioria é contra a coligação.

No Republicanos, a preferência pessoal de Flávio por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, filiada ao partido, também provocou ruídos, uma vez que o pré-candidato não procurou o presidente da sigla, o deputado Marcos Pereira (SP), para tratar do assunto.

Com isso, a eventual escolha dela para a vice não é tratada como uma deferência partidária, mas uma decisão pessoal, o que não serve de estímulo para a adesão do Republicanos.

Outros partidos, como PSD e Novo, não são opções para coligação por terem lançado seus próprios presidenciáveis —os ex-governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), respectivamente. MDB, PSDB-Cidadania, Solidariedade e Podemos já deram sinais de que tendem a ficar neutros, sem apoiar formalmente nenhum candidato ao Planalto.

Embora a tendência seja de que Flávio tenha uma chapa pura do PL em nível nacional, ele conta com apoio do centrão em seis estados, com Tarcísio (Republicanos-SP), Celina Leão (PP-DF) e ACM Neto (União Brasil-BA), por exemplo. O mesmo vale para a disputa ao Senado, na qual em ao menos cinco estados haverá aliança entre bolsonaristas e o centrão, como no caso de Guilherme Derrite (PP-SP).

Líderes do centrão dizem que esperavam mais de Marinho e de Flávio, porque, entre os membros da família Bolsonaro, o senador era tido como o de perfil mais político, conciliador, articulador e palatável. Uma vez pré-candidato ao Planalto, no entanto, ele teria privilegiado os interesses do clã em vez de buscar o equilíbrio em relação aos pleitos dos demais partidos.

Um exemplo mencionado é o de Santa Catarina, onde o PL, para acomodar a pretensão de Carlos Bolsonaro (PL) de concorrer ao Senado, decidiu lançar uma chapa pura com o bolsonarista e a deputada Caroline de Toni (PL), deixando de apoiar a reeleição de Esperidião Amin (PP).

No caso do PP, também pesou a reação de Flávio à operação da Polícia Federal que teve Ciro Nogueira como alvo. Temendo contágio, o presidenciável não defendeu o aliado. Uma semana depois o próprio pré-candidato à Presidência se viu dragado pelo escândalo com a revelação de que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro.

Para integrantes do centrão, a briga entre Michelle e Flávio é outro episódio que demonstrou inabilidade do senador, que deveria ter contornado as divergências internas para contar com a ex-primeira-dama em seu palanque.

De acordo com dirigentes da federação União Progressista e do Republicanos, faltou a Flávio experiência, pulso e estratégia para evitar o isolamento atual.



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