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Incêndio em floresta histórica perto de Paris entra no terceiro dia e mobiliza 800 bombeiros


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O incêndio que atinge a Floresta de Fontainebleau, uma das áreas naturais mais conhecidas da França, entrou nesta terça-feira, 14, em seu terceiro dia. Segundo o prefeito do departamento de Seine-et-Marne, Pierre Ory, cerca de 800 bombeiros foram mobilizados para apagar as chamas.

Localizada a cerca de 60 quilômetros de Paris, a floresta teve aproximadamente 2 mil hectares destruídos desde o início do incêndio, no fim da tarde de domingo, 12. Embora os bombeiros tenham conseguido conter os dois principais focos das chamas, as autoridades afirmam que o trabalho deve continuar por dias até que o fogo seja completamente extinto.

Ory explicou que o incêndio está “contido”, mas não controlado. Isso significa que as chamas deixaram de avançar para novas áreas, embora ainda existam focos ativos. “Três aviões Canadair, uma aeronave Dash e dois helicópteros de combate a incêndios permanecerão à disposição das equipes na quarta-feira”, afirmou.

Até o momento, os incêndios obrigaram cerca de mil moradores da cidade de Fontainebleau e dos arredores a deixarem suas casas. De acordo com o comandante das operações de resgate, Jean-Marc Sicard, um total de 187 lançamentos de água foram realizados na segunda-feira para combater o fogo.

A Justiça francesa investiga a possibilidade de que os incêndios tenham sido provocados por ação humana. Segundo a promotora de Fontainebleau, Diane Ngomsik, um bombeiro local confessou ter “ateado fogo a gravetos usando um isqueiro e gasolina”. Além dele, um outro suspeito admitiu ter “iniciado acidentalmente um incêndio ao descartar um cigarro” em uma área florestal.

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A Floresta de Fontainebleau recebe cerca de 15 milhões de visitantes por ano e é considerada uma das principais áreas naturais da região parisiense. Antiga reserva de caça da monarquia francesa, ela tem características que favorecem a propagação das chamas: solo arenoso e vegetação composta por samambaias, altamente inflamáveis durante períodos de seca.

Ondas de calor 

Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez , 32 mil hectares em toda a França foram atingidos por incêndios desde o início do ano – mais do que durante toda a temporada de incêndios de 2025. Além do sul do país, onde o clima é mais quente, os incêndios também aconteceram em regiões mais frias, como a Bretanha, no oeste do país.

A França sofre, no momento, a terceira grande onda de calor em menos de dois meses. Nesta terça, o país celebra o Dia da Queda da Bastilha, feriado nacional normalmente comemorado com queima de fogos de artifício. No entanto, devido à nova onda de calor, muitas cidades cancelaram o uso da pirotecnia em suas festividades. 

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Não é incomum que florestas entrem em combustão em algumas partes da Europa durante o verão, mas as mudanças climáticas produzem um clima mais quente e seco que cria condições para temporadas de incêndios mais extremas. O fogo também está começando mais cedo no ano e ganhando intensidade: temperaturas mais elevadas vêm acompanhadas por um aumento acentuado no número de incêndios de grande porte, segundo o Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais.

O cenário se repete em outras regiões do continente. Na França e na Espanha, um inverno excepcionalmente chuvoso foi seguido por três ondas de calor consecutivas, com temperaturas entre 35°C e 39°C, criando condições ideais para grandes incêndios florestais.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou a área atingida por um incêndio no sul do país que deixou 13 mortos na semana passada. “A crise climática mata”, afirmou. Dez pessoas continuam desaparecidas.

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O calor extremo também tem provocado aumento da mortalidade na Europa. Na França, mais de 2 mil mortes registradas na última semana de junho foram associadas às altas temperaturas, após o país registrar seu dia mais quente da história, em 24 de junho. Na Inglaterra e no País de Gales, estima-se que mais de 2.700 pessoas tenham morrido por causas relacionadas ao calor entre maio e junho.

Dados da rede EuroMOMO, apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que a Europa registrou mais de 10 mil mortes acima do esperado em apenas uma semana, das quais mais de 9 mil ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.

Segundo o observatório climático Copernicus, da União Europeia, a Europa continua sendo o continente que mais aquece no planeta, com temperaturas aumentando mais que o dobro da média global.



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