A China ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de automóveis exportados em um único mês. O recorde, registrado em junho, acompanha a forte expansão do comércio exterior da segunda maior economia do mundo e reforça a posição do país como principal potência exportadora do setor automotivo.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelas vendas de veículos elétricos e híbridos. No mesmo período, as exportações totais chinesas avançaram 27%, colocando Pequim no caminho para igualar ou até superar o superávit comercial recorde obtido no ano passado.
Os números reforçam as preocupações de Estados Unidos e União Europeia com a crescente dependência global da indústria chinesa e podem acelerar a adoção de novas barreiras comerciais contra produtos do país.
O crescimento é puxado sobretudo pelos carros elétricos e híbridos. Enquanto os modelos totalmente elétricos enfrentam tarifas impostas pela União Europeia desde 2024, muitos híbridos ficaram de fora das restrições.
Chips impulsionam comércio
Além dos automóveis, a indústria chinesa de semicondutores também vem sustentando o crescimento das exportações. O país embarcou 32 bilhões de circuitos integrados no período, impulsionado pela corrida global para expandir a infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Economistas apontam que o ritmo das exportações também reflete a fraqueza do consumo interno chinês. Com a demanda doméstica ainda limitada, fabricantes têm direcionado uma parcela crescente da produção para mercados internacionais.
Segundo a consultoria Gavekal Dragonomics, as exportações responderam por 24% das vendas totais da indústria de transformação chinesa nos quatro primeiros meses de 2026 — o maior patamar desde que o país ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001.
Indústria europeia
As vendas de marcas chinesas, como a BYD e a Jaecoo, estão em plena expansão, reduzindo a participação de mercado de marcas já consolidada na Europa.
A Volkswagen, maior montadora do continente, apresentou um amplo plano de reestruturação que prevê o corte de até 100 mil empregos de um quadro global de 670 mil funcionários. Apesar de o conselho da empresa ter descartado, por ora, o fechamento de quatro fábricas, o futuro dessas unidades segue em discussão.
O presidente-executivo da companhia, Oliver Blume, classificou a iniciativa como “o mais abrangente realinhamento da história da empresa”.
O cenário alimenta o temor de uma nova fase do chamado “China Shock 2.0” — expressão usada por analistas para descrever uma nova onda de exportações chinesas capaz de provocar impactos semelhantes aos observados nos anos 2000, quando a entrada maciça de produtos do país transformou cadeias industriais em diversas economias.

