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Dentro de Buckingham, ativistas cobram respostas sobre elo do ex-príncipe Andrew com Epstein


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Um grupo de ativistas antimonarquistas realizou, nesta segunda-feira, 13, um protesto dentro do Palácio de Buckingham, em Londres, cobrando respostas da Coroa britânica sobre a ligação entre o ex-príncipe Andrew e o financista americano Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado pela exploração de meninas e mulheres.

Durante o ato, que ocorreu na Sala do Trono, considerada o coração da monarquia britânica, os militantes ergueram uma imagem do irmão do rei Charles III ao lado do bilionário americano com os dizeres “O que vocês sabiam?”.

Segundo o Republic, grupo responsável pelo protesto, a intenção é exigir respostas sobre o que e por quanto tempo o príncipe William e o rei Charles III sabiam sobre as acusações contra Andrew.

“Precisamos de total transparência por parte do palácio, e como eles se recusam a se pronunciar, o governo precisa agir”, disse o diretor-executivo da organização, Graham Smith. “Não descansaremos enquanto essas questões não forem respondidas e os protestos não cessarão enquanto a monarquia não cair. A monarquia sobrevive com base no segredo, e esse segredo precisa acabar”, acrescentou. 

Em paralelo, a deputada Sian Berry, do Partido Verde, disse que pretende levantar a questão do sigilo real no parlamento britânico esta semana, pedindo o fim da isenção da família real das regras do Freedom of Information Act – a lei de acesso a documentos governamentais. Atualmente, os monarcas são amplamente isentos de leis de transparência pública e recebem proteção judicial para manter em segredo finanças privadas, heranças e testamentos.

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Denúncias de abusos de menores

A manifestação ocorre dias depois da imprensa britânica divulgar que os policiais responsáveis pela investigação das denúncias de conduta sexual imprópria por parte de Andrew viajariam aos Estados Unidos para conversar com familiares de uma das supostas vítimas. De acordo com as reportagens, a polícia quer ouvir o irmão e a cunhada de Virginia Giuffre, que disse ter sido vítima de tráfico humano para ser sexualmente abusada por Andrew quando ainda era menor de idade.

Segundo as investigações da polícia britânica, Epstein, que foi encontrado morto na cadeia em 2019 após ser condenado, teria feito um “serviço de delivery” para o Royal Lodge, mansão onde o ex-príncipe morava na época e de onde foi despejado neste ano. A prática teria acontecido no período em que ele ocupava o cargo público de enviado comercial do governo britânico.

Má conduta em cargo público

O trabalho dos detetives faz parte da grande investigação sobre suposta má conduta do ex-príncipe enquanto representante do governo britânico, que está de olho inclusive na forma como Andrew conquistou o posto, pulando etapas do processo formal com a influência de sua mãe, a falecida rainha Elizabeth II.

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Andrew, de 66 anos, foi preso e interrogado sob advertência criminal em fevereiro, quando também houve buscas no Royal Lodge e em sua residência atual, em Norfolk. As suspeitas são relacionadas ao seu papel como enviado comercial britânico, entre 2001 e 2011. Entre as acusações está o repasse de informações confidenciais a Epstein, detalhe exposto com a divulgação de documentos relacionados ao caso do financista que foram divulgados pelo Departamento de Justiça americano no início do ano.

O ex-príncipe negou todas as acusações.

A apuração mergulha não só nas alegações de má conduta em cargo público (MIPO, na sigla em inglês) que são mais conhecidas, como corrupção: também estuda possíveis delitos sexuais praticados por ele.

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“Nossa equipe de detetives altamente experientes está trabalhando meticulosamente com uma quantidade significativa de informações provenientes do público e de outras fontes. Estamos comprometidos em conduzir uma investigação completa, explorando todas as linhas de investigação plausíveis”, afirmou Wright nesta sexta. “Encorajamos qualquer pessoa com informações a entrar em contato conosco por meio de canais não urgentes, como o portal online da Polícia do Vale do Tâmisa. Esperamos que qualquer pessoa com informações relevantes se apresente quando estiver pronta para colaborar conosco”, completou.

Entende-se que informações já foram ou serão obtidas da Casa Real (a polícia já iniciou conversas preliminares com advogados do Serviço de Procuradoria da Coroa), e do governo britânico, em especial departamentos envolvidos na nomeação de Andrew como enviado comercial.

A investigação deve ser longa. Estima-se que um julgamento pode começar apenas em 2027, caso sejam encontradas provas suficientes para sustentar acusações criminais.



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