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O número oficial de mortos nos terremotos que devastaram a Venezuela na última quarta-feira 24 continua crescendo, mas especialistas afirmam que ele ainda está longe de refletir a dimensão da tragédia. No balanço mais recente divulgado pelas autoridades, 1.719 pessoas morreram. Para pesquisadores que estudam grandes desastres naturais, no entanto, essa contagem deve aumentar de forma expressiva nas próximas semanas e pode nunca retratar o total de vítimas.
A avaliação se baseia em uma série de fatores observados desde os tremores, como o elevado número de desaparecidos, o colapso de edifícios inteiros e as dificuldades enfrentadas pelas equipes de resgate para acessar as áreas mais devastadas. Esses obstáculos retardam tanto o salvamento de sobreviventes quanto a retirada de corpos sob os escombros.
“Infelizmente, veremos o número de mortos continuar aumentando”, afirmou Ilan Kelman, professor especializado em desastres e saúde da University College London, em entrevista ao The New York Times.
Contagem pode nunca ser concluída
Nos primeiros dias após uma catástrofe dessa magnitude, o objetivo das equipes de emergência é localizar pessoas com vida. A recuperação de corpos costuma ficar em segundo plano e depende de um trabalho minucioso de remoção dos escombros, que pode se estender por semanas ou até meses.
A tarefa é ainda mais complexa diante da escala da destruição. Dependendo dos critérios adotados pelos levantamentos, as estimativas sobre o número de edifícios danificados variam de centenas a dezenas de milhares, tornando difícil calcular quantas pessoas ainda podem estar soterradas.
Além disso, o número de vítimas tende a aumentar porque parte dos feridos em estado grave pode morrer nos próximos dias. O cenário é agravado pelas limitações do sistema de saúde venezuelano, que já operava sob forte pressão antes dos terremotos e agora enfrenta dificuldades para atender ao grande volume de pacientes.
Outro fator que dificulta a obtenção de um balanço definitivo é a logística.
As operações de resgate enfrentam congestionamentos na principal rodovia de acesso ao estado de La Guaira, um dos mais devastados pelos terremotos. Equipes também relatam escassez de guindastes, máquinas pesadas para remover concreto e equipamentos médicos, reduzindo a velocidade das buscas.
Uma projeção preliminar do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), baseada na magnitude dos tremores, densidade populacional e vulnerabilidade da infraestrutura local, indica que o total de mortos deve superar 10 mil pessoas e pode chegar, inclusive, a 100 mil.

