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Catar contradiz Trump e descarta negociações diretas entre EUA e Irã no país


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O Catar afirmou nesta terça-feira, 30, que não há reuniões de alto nível ou negociações diretas previstas entre Estados Unidos e Irã em Doha, após Washington anunciar o envio de uma delegação ao país. Os enviados de Donald Trump (seu genro, Jared Kushner, e o magnata Steve Witkoff) chegaram à cidade catari nesta manhã para se reunir com autoridades do país.

“Eles não estão aqui para as negociações com os iranianos. Até onde sei, não há reuniões diretas programadas entre as duas partes nos próximos dias”, declarou à imprensa em Doha o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, que acrescentou que a delegação americana se reunirá com os mediadores nas negociações com o Irã.

O Catar atua como mediador, juntamente com o Paquistão, nas negociações entre os dois países com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.

Na véspera, presidente dos Estados Unidos havia afirmado que Teerã “pediu” uma reunião com os americanos e que ela aconteceria na capital catari. Kazem Gharibabadi, o principal negociador do Irã, por sua vez, sustentou que não havia nenhuma reunião de grupos de trabalho técnicos agendada para esta semana. O Ministério das Relações Exteriores iraniano também negou a reunião em um primeiro momento, mas na segunda-feira confirmou o envio de uma “delegação de especialistas” a Doha para discutir a implementação das cláusulas do memorando de entendimento assinado há duas semanas.

O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, explicou que os países ainda não estão na etapa de negociação de um acordo definitivo e que Teerã não participará nos próximos dias de “nenhuma reunião de negociação com a parte americana em nenhum nível”.

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+ Após escalada de ataques, EUA e Irã concordam em suspender disparos e renovar negociações

Clima tenso

Segundo o portal de notícias americano Axios, as negociações em Doha teriam objetivo de solucionar as disputas sobre o Estreito de Ormuz, por onde, em um período normal, trafega quase 20% da produção global de combustíveis. A nevrálgica rota marítima foi reaberta na semana passada, depois de permanecer fechada pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, em retaliação aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. A paralisação da navegação afetou os mercados globais com a disparada do petróleo, que ficou por meses acima de US$ 100.

A declaração de Trump veio pouco depois de Washington e Teerã concordarem em suspender trocas de ataques, após acusações, nos últimos dias, sobre violações do cessar-fogo – uma escalada das hostilidades que colocou em risco o memorando de entendimento assinado há cerca de dez dias.

“As discussões técnicas estão programadas para continuar sobre todas as áreas do memorando de entendimento”, informou a fonte do governo americano às agências de notícias Reuters e AFP em um e-mail. “As partes vão recuar no momento e os navios poderão transitar livremente” pelo Estreito de Ormuz, acrescentou.

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Disputas sobre o estreito

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, voltou a afirmar no domingo que apenas o Irã é “responsável” pela gestão do estreito, ecoando afirmações de outras autoridades do país. Ele advertiu que adotar medidas diferentes “levará apenas a situações mais complicadas e a atrasos na reabertura do Estreito de Ormuz”.

O Irã não gostou do anúncio de Omã de uma rota próxima à sua costa, apresentada como uma iniciativa coordenada com uma agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima. Dezenas de embarcações utilizaram a rota durante a semana passada.

Teerã permitiu a passagem por um único corredor próximo à sua costa, mas ameaçou atacar qualquer navio que viole suas condições. Desde a última quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida nesta passagem marítima, incidentes que o governo dos Estados Unidos atribuiu à Guarda Revolucionária Islâmica e ao qual respondeu com bombardeios contra a nação persa.

Na madrugada de domingo, a guarda anunciou o lançamento de mísseis e drones em direção ao Kuwait e ao Bahrein.



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