A jornalista Alexandra Moraes, 44, teve seu mandato de ombudsman da Folha renovado por mais um ano. Seu terceiro período no cargo, que é definido pela missão de representar os leitores e criticar o jornal, vai até maio de 2027. Ela é a 15ª profissional a exercer a função, sendo a sétima mulher.
Ombudsman desde junho de 2024, a jornalista destaca duas novidades do seu mandato que aumentam a interação com o leitor: a Newsletter da Ombudsman, enviada ao email dos inscritos com a coluna semanal, e o botão Ombudsman, que aparece no fim das reportagens como mais uma opção de contato.
Em um cenário de queixas difusas por parte do leitorado, ela identifica dois problemas principais na Folha: modernizar o espaço dos comentários nas reportagens e aumentar a transparência no uso de inteligência artificial.
A ombudsman afirma não ter problemas com a tecnologia, mas vê contradição entre a prática de indicar com tarja o uso de IA em imagens publicadas nas redes e a ausência de alguma sinalização quando a ferramenta é empregada em textos.
“Um jornal como a Folha ainda vive de vender a palavra, então é ruim vender a palavra terceirizada. O que lamento é o jornal insistir em não identificar esse uso”, diz. “Por mais que a Redação tenha melhorado a presença em vídeos e podcasts, a base do jornal ainda é o texto. É uma questão de lealdade com o leitor que está pagando por esse conteúdo.”
A ombudsman levantou o debate sobre o uso de IA em coluna publicada em fevereiro deste ano. A partir de uma reclamação de um leitor, ela usou programas para constatar que textos da colunista Natalia Beauty tinham sido feitos usando a tecnologia. À época, a empreendedora disse que a IA era necessária para otimizar sua produtividade: “Meus textos usam IA; meu pensamento, não”.
Em editorial publicado naquele mesmo mês, a Folha reafirmou ser um jornal que mira o futuro, sem medo
de incorporar novas tecnologias visando o aprimoramento da produção jornalística.
A palavra “ombudsman” tem origem sueca e significa representante do cidadão. Nos anos 1960, a função passou a ser adotada na imprensa americana, chegando ao Brasil duas décadas mais tarde, no dia 24 de setembro de 1989, quando a Folha começou a publicar a coluna semanal de seu ombudsman.
Também é atribuição do profissional a escrita de uma crítica interna, encaminhada todos os dias à Redação. O mandato de ombudsman pode ser renovado até três vezes (quatro anos no total).
Segundo Alexandra Moraes, é preciso melhorar o sistema de comentários dos leitores nas reportagens. Ela relata receber todos os dias queixas envolvendo a moderação. As histórias se repetem: um assinante faz um comentário e, mesmo não infringindo as regras, o conteúdo é removido. A Folha tem por política coibir a publicação de ofensas, palavrões e propagandas.
A ombudsman diz estar atenta aos dois principais eventos do ano. Em relação à eleição, ela defende que o jornal, sempre que possível, escreva o nome completo de Flávio Bolsonaro, expondo sua filiação política. Sobre a Copa do Mundo, ela afirma que a cobertura especial do evento vai contrastar com o espaço reduzido para o jornalismo esportivo no dia a dia do jornal.
“A Folha ainda tem muito leitor magoado com o que ela fez com a cobertura esportiva, que foi reduzir ao mínimo”, diz.

