A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para rebater a alegação de que haveria um grupo político organizado em seu entorno contra a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil.
Em publicação feita neste sábado (24) no Instagram, Michelle compartilhou uma chamada da Folha de S.Paulo sobre a crise do Banco Master e escreveu: “Eu não tenho grupos”.
Na sequência, a esposa de Jair Bolsonaro afirmou pertencer a “um movimento que influencia pessoas de bem a estarem na política”, movido por “valores inegociáveis”. A manifestação foi uma resposta à reportagem que apontou que a crise envolvendo Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria reacendido o racha entre aliados do senador e pessoas próximas à ex-primeira-dama.
VEJA TAMBÉM:
A tensão dentro do bolsonarismo ocorre desde que Jair Bolsonaro escolheu Flávio como nome para disputar o Planalto, em vez de apostar em outro arranjo da direita. Michelle era apontada nos bastidores como uma liderança descontente com o processo sucessório e vista por setores do PL como um ativo eleitoral relevante, especialmente junto ao eleitorado evangélico e feminino.
Do outro lado, os filhos de Bolsonaro cobram alinhamento explícito em torno de Flávio. Em fevereiro, Eduardo Bolsonaro acusou Michelle e Nikolas Ferreira de não se engajarem o suficiente na pré-campanha do irmão. Segundo relatos publicados à época, Eduardo disse que os dois estariam com “amnésia” sobre o fato de terem crescido politicamente sob o “guarda-chuva” de Jair Bolsonaro.
Nikolas, por sua vez, tornou-se uma liderança própria dentro da direita digital e passou a ser visto por aliados do clã como alguém que busca protagonismo próprio. A disputa se intensificou quando o deputado mineiro deu ênfase a pautas como atos contra ministros do STF, enquanto Flávio tentava construir uma imagem mais moderada para viabilizar alianças de centro.
A crise do Master reacendeu esse conflito porque fragilizou o principal projeto eleitoral do clã Bolsonaro para 2026. A primeira pesquisa Datafolha divulgada depois do escândalo, na última sexta-feira, dia 22/5, mostrou Lula à frente de Flávio em eventual segundo turno, por 47% a 43%. No primeiro turno, Lula apareceu com 40%, contra 31% de Flávio.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 20 e 21 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-07489/2026.

