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A polícia da Itália prendeu dois cidadãos paquistaneses pelo suposto assassinato de quatro trabalhadores agrícolas migrantes em um incêndio criminoso na região da Calábria, no sul do país, nesta terça-feira, 2. As vítimas — três afegãos e um paquistanês — foram encontradas carbonizadas dentro de uma van em Corigliano-Rossano.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam bloqueado as portas e despejado gasolina no interior do veículo, antes de atear fogo com um isqueiro. Os agressores foram identificados graças às imagens de câmeras de segurança de um posto de gasolina e ao relato de um sobrevivente afegão, que conseguiu escapar das chamas ao pular por uma das janelas do carro.
Os suspeitos atuavam como “caporali”, intermediários responsáveis pelo recrutamento e controle informal de trabalhadores rurais em condições frequentemente precárias, de acordo com as autoridades locais.
De acordo com o sobrevivente, os migrantes trabalhavam em plantações de morango e viviam em situação de vulnerabilidade, recebendo apenas alimentação e alojamento. Ele também afirmou que os intermediários envolvidos no esquema utilizavam ameaças para controlar os empregados.
O presidente da região da Calábria, Roberto Occhiuto, disse que o crime “levanta questões profundas sobre a tragédia da migração, o valor da dignidade humana e as responsabilidades que uma sociedade civil deve assumir para com os mais vulneráveis”.
Exploração de migrantes
O episódio trouxe novamente à tona o chamado “caporalato”, sistema ilegal de recrutamento de trabalhadores amplamente associado à exploração de migrantes e descrito como uma forma de escravidão moderna.
Dados do sindicato CGIL indicam que cerca de 70% dos operários agrícolas trabalham sem um contrato formal. A entidade classificou o assassinato dos quatro migrantes como um caso de “horror indescritível” e cobrou medidas mais efetivas para combater os abusos enfrentados diariamente por trabalhadores rurais.
Embora a Itália tenha endurecido a legislação contra a exploração laboral em 2025, prevendo penas de até seis anos de prisão e confisco de bens dos responsáveis, a fiscalização ainda enfrenta limitações. Autoridades apontam a necessidade de pelo menos 6 mil novos inspetores do trabalho para garantir a aplicação das normas em todo o país.

