InícioBrasilDark Horse: Nunes sugere perseguição política em operação - 01/06/2026 - Política

Dark Horse: Nunes sugere perseguição política em operação – 01/06/2026 – Política


A operação da Polícia Civil desta segunda-feira (1º) que teve como alvo repartições da Prefeitura de São Paulo e a sede da produtora do filme “Dark Horse“, sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), incomodou o prefeito Ricardo Nunes (MDB), aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que falou em motivação política para a ação.

A polícia apura irregularidades na contratação da entidade ICB (Instituto Conhecer Brasil) para gerenciar o programa de wi-fi gratuito da prefeitura. O instituto é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da Go UP Entertainment, produtora do “Dark Horse”.

Uma das suspeitas investigadas é de que recursos desviados do programa tenham parado nas contas da produtora. Karina não foi localizada para comentar a operação.

“Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa disso. Aí é grave, é perseguição política”, afirmou o prefeito. “Se for uma questão política, é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia”, declarou.

Policiais chegaram por volta das 8h à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, na rua Líbero Badaró, no centro da cidade, e fizeram buscas em três andares do prédio. Antes das 10h, já haviam deixado o local.

Segundo a Folha apurou, instantes depois da saída dos policiais, o secretário titular da pasta, Humberto Alencar, informou Nunes e os demais secretários que a operação havia sido tranquila e que o material levado pelos agentes fazia parte de processos públicos, disponíveis no site da prefeitura, e que já haviam sido enviados à Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração.

O prefeito recebeu a notícia enquanto se preparava para participar de um evento de entrega de moradias na avenida Prestes Maia, a poucas quadras do local da operação, e decidiu questionar a ação.

“O que acho, e aí vocês vão me permitir, sabendo do jeito que sou, que às vezes exagero na sinceridade, acho que está mais por conta de que a pessoa que é dessa entidade participa do filme do Bolsonaro do que especificamente daquele processo”, disse.

Nunes cogitou com interlocutores, segundo apuração da Folha, a possibilidade de a polícia ter informações que não são de conhecimento da prefeitura sobre o caso. Mesmo assim, diante do que foi levado pelos agentes na operação, a opção foi por criticar a ação.

O prefeito afirmou ter pedido duas vezes na semana passada a revisão do processo. “O que eu recebi da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado na contratação”, declarou.

Questionado sobre a ausência de notas fiscais e outros documentos apontados pelos investigadores, declarou que o modelo de contratação prevê prestação de contas posterior e disse que despesas sem comprovação já foram desconsideradas pela administração municipal.

“Na análise de 2024 foram glosados mais de R$ 2 milhões porque era um serviço que não havia sido comprovado”, disse Nunes. “Se tiver alguma coisa errada, a prefeitura não vai pagar ou vai descontar.”

Nunes também rejeitou suspeitas de direcionamento no chamamento público vencido pelo ICB. “Durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor. Não houve pedido de impugnação, questionamento, nenhuma outra entidade quis participar”, afirmou.

O prefeito ainda disse que a prefeitura irá colaborar com as investigações. “Se tiver alguma coisa de errado, eu vou ser o primeiro a tomar as providências. Mas, até o presente momento, de tudo o que eu vi, não existe absolutamente nada de errado nesse processo.”

O inquérito da Polícia Civil foi aberto em março, a pedido do Ministério Público, para a apuração de possíveis irregularidades no contrato da prefeitura e da entidade para fornecimento de wi-fi, pelo custo de R$ 108 milhões.

Ao longo das investigações, policiais levantaram indícios de falhas no processo de seleção da empresa, que nunca operou neste ramo, no valor acertado para cada ponto de acesso e em pagamentos que teriam sido feitos antes de os locais de conexão serem instalados.

No contrato com a gestão Nunes, cada ponto de wi-fi contratado por meio do instituto custou R$ 1.800. A Polícia Civil afirma que a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia da prefeitura, presta serviços idênticos pelo custo de R$ 230 para implantação por ponto e R$ 306 para manutenção mensal.

A prefeitura vem negando qualquer irregularidade e tem indicado, quando é alvo de questionamentos, uma página de BI (business intelligence) que monitora o programa em tempo real. Na coletiva, o prefeito questionou os valores apontados pela Polícia Civil.

Ao falar com jornalistas, o prefeito defendeu a possibilidade de Karina ter uma produtora de filmes e uma empresa que gerencia programas de wi-fi. “Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho empresa de certificação sanitária, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades e sou prefeito. Qual é o problema de a pessoa ter várias atividades?”

O filme “Dark Horse” (azarão, em inglês), produzido pela Go UP, de Karina, recebeu financiamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em março em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre fraude bancária apontada como uma das maiores do país.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Vorcaro para a produção do filme e ao menos R$ 61 milhões foram pagos para financiar a obra. O senador, pré-candidato à Presidência, visitou o banqueiro após ele ter sido preso pela primeira vez, em novembro do ano passado.

Nunes declarou apoio à eleição de Flávio em 1º de março, poucos dias antes da prisão de Vorcaro. Flávio nega que soubesse dos crimes atribuídos a Vorcaro quando buscou recursos para a produção e afirma que os recursos eram privados.



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