
A Rússia lançou um número recorde de drones de longo alcance contra a Ucrânia em maio, segundo uma análise divulgada nesta segunda-feira, 1º, pela agência de notícias AFP com base em dados da Força Aérea ucraniana. Ao todo, Moscou disparou 8.150 drones ao longo do mês, o maior volume registrado desde o início da invasão em larga escala ao país vizinho, em fevereiro de 2022.
A escalada ocorreu apesar de uma trégua de três dias anunciada pelo Kremlin durante as celebrações do Dia da Vitória, que marca o fim da Segunda Guerra na Europa. O cessar-fogo reacendeu brevemente as expectativas de retomada das negociações de paz, mas Kiev e Moscou trocaram acusações de violações e mantiveram ataques em diferentes frentes do conflito.
Os números mostram uma intensificação da ofensiva aérea russa. Segundo a análise da AFP, o total de drones lançados em maio foi 24% superior ao registrado em abril. O número de mísseis disparados também ficou entre os mais altos desde o início da guerra: foram 211 projéteis no período, incluindo um míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares e utilizado pela terceira vez desde 2022.
A escalada teve como um dos episódios mais violentos um ataque contra Kiev em meados de maio. Um míssil atingiu um edifício residencial na capital ucraniana, deixando cerca de 20 mortos e provocando ampla destruição.
Apesar da intensidade dos bombardeios, a Ucrânia afirma ter interceptado 91% dos drones e mísseis lançados pela Rússia ao longo do mês. O país desenvolveu um sistema de defesa aérea voltado para neutralizar drones, mas continua dependente do apoio militar dos aliados ocidentais para enfrentar ataques com armamentos mais sofisticados.
Autoridades ucranianas alertam há meses para a escassez de munições dos sistemas de defesa aérea. No fim de maio, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky voltou a pedir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump o envio de mais mísseis para os sistemas Patriot utilizados pelo país.
Segundo analistas, a pressão sobre os estoques de defesa aérea foi agravada pelo conflito no Oriente Médio, que exigiu o uso de grandes quantidades de munição por aliados dos Estados Unidos para proteger instalações estratégicas na região do Golfo.

