O Exército israelense anunciou neste domingo, 31, a ocupação da fortaleza medieval de Beaufort, em mais uma etapa em seu avanço por terra no sul do Líbano, apesar de um cessar-fogo teoricamente em vigor e de conversas realizadas nesta semana em Washington.
Em comunicado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “a tomada de Beaufort é uma etapa espetacular e um ponto de inflexão decisivo. Israel também ordenou à população que deixasse uma ampla área no sul do país, entre sua fronteira e o rio Zahrani, a cerca de 40 quilômetros mais ao norte.
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A fortaleza está localizada em uma elevação rochosa que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel. O local tem importância estratégica e simbólica, pois serviu de base para as forças israelenses durante as duas décadas de ocupação do sul do Líbano, que terminaram em 2000.
No sábado, Israel voltou a bombardear o sul libanês, em meio à intensificação de operações aéreas e terrestres no Líbano, onde afirma que seu alvo é o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã. O exército israelense ordenou na manhã de sábado a evacuação de 12 localidades no sul antes de lançar ataques, apesar da vigência de um cessar-fogo, desde 17 de abril, que não vem sendo respeitado.
Pelos termos do cessar-fogo, Israel preservou o direito de agir contra ataques classificados como “planejados, iminentes ou em andamento”. O governo israelense acusa o Hezbollah de descumprir o pacto repetidamente ao manter atividade militar próxima à fronteira. Do outro lado, autoridades libanesas afirmam que Tel Aviv tem usado a cláusula como justificativa para uma campanha previamente calculada.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou no sábado a “política de terra arrasada e de punição coletiva” de Israel que, segundo ele, “não lhe trará nem segurança nem estabilidade”.
Contudo, defendeu a continuação das negociações diretas com Israel, iniciadas em abril para resolver o conflito e rejeitadas pelo Hezbollah, por considerá-las “o caminho menos custoso” para o Líbano. Uma nova rodada de conversas entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para os dias 2 e 3 de junho em Washington.
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Uma média de 11 crianças foram mortas ou feridas a cada 24 horas por ataques de Israel ao Líbano na última semana, segundo dados divulgados na sexta-feira 29 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Desde 2 de março, quando a milícia Hezbollah disparou mísseis contra o território israelense após os bombardeios de Israel e EUA no Irã, mais de 3.100 pessoas foram mortas no Líbano.
Um total de 77 crianças foram mortas ou feridas nos últimos sete dias. Desde que o cessar-fogo entre Beirute e Tel Aviv entrou em vigor em 17 de abril, 55 crianças foram mortas e 212 ficaram feridas, de acordo com a agência da ONU.
Os dados foram divulgados após o Exército de Israel afirmar que considerará toda a região do território libanês ao sul do rio Zahrani, que se estende por cerca de 40 km a partir da fronteira com o Líbano, como uma “zona de combate”. A área de 1.500 km² cobre quase 15% do país.

