O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo acredita que a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas possa ser revertida por meio da diplomacia.
Para ele, a medida adotada por Donald Trump vai dificultar as investigações transnacionais.
“Eu quero crer que nossa diplomacia entre em ação e deva dialogar com seus pares americanos para que possamos reverter ou amenizar a situação”, disse Sarrubbo à CNN Brasil nesta sexta-feira (29).
Segundo ele, a decisão aparenta ser um movimento meramente político; um aceno à extrema direita latino-americana, que pode resultar na intervenção nas eleições brasileiras de outubro. “Nós temos um interesse muito grande em combater o crime organizado e cooperar”, completou.
O ex-secretário pontuou que a cooperação entre a PF e a polícia americana é tradicional, fluida, na medida que acontece quase diariamente.
“O Brasil tem um centro de cooperação internacional com a presença de policiais americanos. Isso agora acaba porque, evidentemente, as agências de inteligência como a CIA e as Forças Armadas não têm essa tradição.”
Outro ponto destacado por Sarrubbo é o fato de que, a partir de agora, hipoteticamente, o Brasil passa a ter risco de ter agentes da Central de Inteligência Americana aqui no Brasil.
“Sem contar questões mais graves como incursões territoriais, que muita gente não acredita que vá acontecer. Mas hipoteticamente pode, como vimos na costa do Caribe com a Venezuela”.
Recentemente, os Estados Unidos bombardearam embarcações na região, sob alegação de que estavam sendo usadas para o tráfico de drogas.
“É a normalização do absurdo, é realmente uma situação que temos que tomar muito cuidado. Se acontecer, haverá uma violação muito grave da nossa soberania”, completou o ex-secretário.

