A PF (Polícia Federal) concluiu o inquérito que apura suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos em contratos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no Amapá e indiciou o empresário Breno Chaves Pinto, suplente do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ex-superintendente do departamento no estado, Marcello Vieira Linhares.
Em nota, a assessoria de Alcolumbre diz que “o senador não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente, tampouco interfere na contratação de empresas ou em decisões administrativas do Dnit, que competem exclusivamente aos órgãos responsáveis”.
“Davi Alcolumbre responde apenas pelos próprios atos, não tendo responsabilidade por alegações, conversas privadas, condutas atribuídas a terceiros ou supostas referências a seu nome, destituídas de prova de conduta indevida”, afirmou.
Breno Chaves Pinto e Marcello Vieira Linhares foram alvos da operação “Route 156”, em julho do ano passado, sobre um suposto esquema criminoso de direcionamento de licitações e desvio de recursos públicos federais vinculados a contratos de manutenção e recuperação da rodovia BR-156, no estado.
Em inquérito enviado à Justiça na quarta-feira (20), a PF aponta que Breno Pinto deixou uma agência bancária em Macapá (AP) após sacar R$ 350 mil em espécie e depois entrou em um carro ligado a primos do presidente do Senado. O empresário é apontado pela investigação como integrante de um núcleo suspeito de atuar para direcionar contratos públicos. O presidente do Senado não é investigado.
Segundo a PF, as investigações indicam a existência de uma organização criminosa estruturada no âmbito da Superintendência Regional do Dnit que teria fraudado pelo menos quatro pregões eletrônicos, totalizando mais de R$ 60 milhões em contratos.
A investigação aponta que o empresário suplente do senador exercia influência sobre a Superintendência Regional do Dnit e teria se valido de suposta influência política para interferir em tratativas envolvendo contratos e liberação de recursos.
A PF e a CGU verificaram indícios de que o grupo atuava por meio da montagem de licitações simulando concorrência, com propostas fictícias e cláusulas indevidamente restritivas nos editais, além de omissões propositais de servidores públicos no dever de fiscalizar e instaurar processos administrativos diante de irregularidades.
Mensagens encontradas nos celulares do empresário e do superintendente do Dnit apontaram que havia um conluio com as empresas vencedoras do pregão. Entre 2024 e 2025, as empresas receberam pagamentos de R$ 32 milhões da União, custeados com recursos federais para manutenção de infraestrutura rodoviária.
A operação de julho do ano passado cumpriu dez mandados de busca e apreensão, sendo seis no Amapá, três em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e um no Amazonas. No dia, o então superintendente do Dnit foi afastado do cargo.
Durante as buscas na cidade de Nova Lima/MG, a PF apreendeu 3 veículos da marca Porsche, obras de arte, além de joias e relógios de luxo. Em Macapá, a PF apreendeu 3 pistolas, 1 fuzil e aproximadamente 250 munições.
A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Breno Chaves Pinto e Marcello Vieira Linhares. O espaço segue aberto.

