VEJA teve acesso nesta quinta-feira, 23, ao Dixmude, porta-helicópteros anfíbio da Marinha Nacional Francesa em passagem no Rio de Janeiro. Com 200 metros de comprimento e 12 andares, o navio faz parte da Missão Jeanne D’Arc, focada no treinamento de cadetes e na ampliação da parceria com outras forças navais. Enquanto permanece na cidade cartão-postal, a embarcação realizará atividades conjuntas com a Marinha brasileira, uma delas em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio.
“Nossas duas Marinhas têm uma forte ligação e um forte relacionamento, o que significa que nós temos trocas e treinamos juntos”, afirma o comandante Jocelyn Delrieu, que relembrou que as relações entre França e Brasil recentemente completaram 200 anos. “Nós estamos dando continuidade a um longo processo, com trocas de feedbacks entre os dois países. É um interesse em comum.”

Até o momento, o porta-aviões já passou por sete países, como Egito e África do Sul. A bordo, estão 156 alunos, dos quais apenas 16 são estrangeiros, e mais de 800 militares. Não há brasileiros no grupo anfíbio liderado pelo Dixmude, que inclui 16 helicópteros, 80 veículos blindados, a fragata Aconit e o navio reabastecedor Jacques Stosskopft. Os cadetes passam cinco meses no navio, parte obrigatória da diplomação na Marinha. Após esse período, eles são designados para unidades das forças navais francesas.

Enquanto a reportagem estava a bordo, cinco helicópteros estavam alocados na embarcação — dois no deck de decolagem e três na parte de dentro. No total, o navio de 2010 tem capacidade de transportar até 15 helicópteros, tanto franceses quanto de aliados. Militares explicaram a VEJA que, entre eles, estava um utilizado para monitoramento e defesa, com uma arma capaz de disparar 15 munições por segundo na lateral. Os militares também contam com o apoio de dois drones.


As aeronaves são controladas pela torre de aviação, onde um militar pode ficar responsável por coordenar até seis helicópteros ao mesmo tempo. VEJA visitou, ainda, o hangar onde ficam estacionados mais de dez veículos usados em operações terrestres. Trata-se de um amplo espaço, que também pode ser esvaziado e utilizado para evacuar pessoas de zonas de guerra. Por lá, fica uma quadra em que os cadetes e militares jogam de tudo, de badminton a vôlei. “Praticar esportes nos ajuda a manter a forma”, contou um deles.

Há também uma academia à disposição, com aparelhos de musculação e esteira. No andar de baixo está a estrela da embarcação: o deck molhado. Em caso de operação anfíbia, que envolve mobilização naval, terrestre e aérea, o local é aberto e preenchido pela água do mar, permitindo que os veículos sejam lançados. A ideia é ensinar os cadetes a estarem preparados a todo momento, seja qual for o cenário.

