Ao lançar nesta terça-feira (12) seu programa de combate ao crime organizado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) age para contornar os entraves impostos pelo Congresso Nacional e garantir uma marca na segurança pública para a eleição deste ano. Nos bastidores, aliados próximos de Lula avaliam que o Planalto acertou ao focar no enfrentamento das facções criminosas em contraponto ao bolsonarismo nesse setor.
O momento escolhido para o anúncio leva em conta o recente encontro ocorrido entre o presidente Lula e o presidente norte-americano Donald Trump. A avaliação no time petista é que a conversa entre os dois presidentes — que contemplou um pedido de Lula de colaboração para rastrear dinheiro das facções no exterior — dá fôlego ao chefe do Executivo na estratégia.
Segundo relato de um aliado, Lula “reviveu” politicamente após a reunião com o presidente dos Estados Unidos. Embora o pano de fundo do encontro fosse outro, o fato de Lula ter abordado a questão do crime organizado serviu para impulsionar o projeto petista para o setor.
A ideia do Planalto é reverter ao menos parte da frustração com iniciativas lançadas originalmente para criar uma bandeira nesse setor, como a PEC da Segurança Pública e o PL antifacção. O Planalto fala em uma injeção de R$ 11 bilhões no programa, sendo R$ 1 bilhão em Orçamento da União e outros R$ 10 bilhões em financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para os estados, a quem cabe executar políticas de segurança.
O programa passa por eixos como o fortalecimento do sistema prisional, reforço a estruturas de investigação, combate ao tráfico de armas e a asfixia financeira das facções, esta última usada recorrentemente como mote do governo Lula na segurança.

