A ligação de mais de uma hora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostra como o presidente chinês, Xi Jinping pode aproveitar o atrito entre Brasília e Washington para estreitar a relação com o Brasil.
Ao rejeitar interferências externas, o presidente chinês oferece respaldo diplomático a Lula e reforça a imagem de Pequim como um parceiro capaz de ampliar a margem de manobra do Brasil.
Para a China, esse ambiente pode facilitar avanços em áreas estratégicas: inteligência artificial, minerais críticos e comércio.
Para o governo, o movimento também pode ter reflexos na eleição. A poucas semanas do início da campanha oficial, parte da direita busca apoio entre aliados de do presidente americano, Donald Trump. Isso abre espaço para Lula reforçar o discurso de soberania e a relação com Pequim.
Isso não transforma Xi em ator direto da eleição. Mas mostra que a pressão de Trump pode ter como efeito colateral o aumento da esfera de influência da China no mundo.

