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‘Fortaleceu Flávio’ e ‘interferência’: jornais argentinos reagem a Milei na convenção do PL


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A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às eleições presidenciais de outubro repercutiu na imprensa argentina neste domingo, 26. Os principais jornais do país destacaram os ataques do líder argentino ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a tensão diplomática entre os dois países.

Durante o ato em São Paulo, o ultraliberal se referiu a Lula como “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista”, além de chamar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca”, sem mencioná-los diretamente.

“O lixo não me permitiu visitar o meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández” declarou Milei, que havia anunciado na semana passada, durante uma entrevista em seu país, a intenção de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em sua residência, após ter sido preso preventivamente em novembro de 2025 e condenado no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.

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Em um dos momentos mais tensos nas relações dos dois países vizinhos, sócios do Mercosul, Milei também mencionou a suposta colaboração do governo Lula para apoiar a oposição na passada campanha eleitoral na Argentina.

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Em resposta, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, “foi chamado para consultas (…) em razão das ofensas proferidas” por Milei, informou à AFP um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores brasileiro a respeito desta medida diplomática que um Estado aciona quando considera a relação bilateral afetada.

Repercussão

O La Nación classificou Javier Milei como a principal atração do evento e afirmou que sua visita a São Paulo teve como objetivo reforçar o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O jornal destacou que, apesar de parte do público não compreender espanhol, os ataques de Milei a Lula eram aplaudidos.

A publicação também ressaltou que o presidente argentino evitou citar Lula pelo nome e repetiu a acusação, considerada incorreta pelo diário, de que o petista teria tentado fraudar as eleições de 2023. Segundo o La Nación, a presença de Milei fortaleceu a campanha de Flávio, que enfrenta dificuldades nas pesquisas e desgastes políticos.

O jornal lembrou ainda que esta foi a terceira visita de Milei ao Brasil sem qualquer contato com o governo Lula, interpretando a viagem como uma demonstração de alinhamento ideológico com o bolsonarismo e uma tentativa de se projetar como liderança conservadora na América Latina.

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O Clarín afirmou que o presidente argentino “se envolveu completamente na campanha brasileira” ao participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e fazer um discurso “repleto de insultos” contra Lula. O jornal ainda destacou que “a tensão com o Brasil está mais alta do que nunca” após as “fortes ofensas” dirigidas por Milei ao presidente brasileiro.

“Foi o primeiro ataque a Lula, mas muitos outros se seguiram ao longo de seu discurso. Todos foram comemorados por Flávio Bolsonaro e seus apoiadores”, ressaltou o veículo ao citar a crítica de Milei à “submissão” do país à esquerda.

Já o Página/12 adotou um tom mais crítico e classificou a visita de Milei como uma interferência “descarada” na eleição brasileira. O jornal afirmou que o presidente argentino “cruzou uma nova linha vermelha” ao chamar Lula de “ladrão” e ao insultar o ministro Alexandre de Moraes, avaliando que ele “mergulhou de cabeça” na campanha presidencial brasileira com o objetivo de fortalecer a direita na região.

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Segundo a publicação, Milei tenta se consolidar como uma das principais lideranças conservadoras da América Latina e acredita poder influenciar a disputa no Brasil. O diário também comparou o episódio aos ataques feitos pelo argentino ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e afirmou que as declarações foram uma resposta ao apoio de Lula a Sergio Massa na eleição argentina de 2023.

O portal de notícias Infobae destrinchou a “trama política, pessoal e geopolítica por trás do maior choque diplomático entre Argentina e Brasil”, destacado “duas visões opostas sobre a liderança regional e o novo cenário global”.

Segundo o veículo, a participação de Milei na convenção nacional do PL ocorre anos após Lula decidir se envolver politicamente na última campanha presidencial argentina. “Esse antecedente se tornou uma referência central para explicar por que o atual confronto entre Buenos Aires e Brasília tem, além de uma dimensão ideológica, um componente pessoal e político que se arrasta desde 2023″, diz a publicação.



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