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A França mandou esvaziar por completo a península de Cap Ferret, popular destino de veraneio na costa do Atlântico, no departamento de Gironde, devido a um incêndio florestal “intenso e altamente imprevisível” que avança sobre a região nesta sexta-feira, 24. Cerca de 40 mil pessoas já foram retiradas de lá, ou estavam prestes deixar a península por terra ou mar, incluindo milhares de turistas que ocupavam áreas de camping e casas de temporada.
O incêndio em Cap Ferret, onde os ricos e famosos da Europa costumam tirar férias em mansões multimilionárias, já consumiu mais de 10.000 hectares. Barcos começaram a transportar turistas e moradores a partir de quatro píeres nesta manhã, após a prefeitura de Gironde ordenar a evacuação progressiva — “vila por vila” — por via marítima ou pela única estrada que liga a área ao continente.


Cerca de 800 bombeiros e quatro aviões-tanque combatiam o fogo no departamento de Gironde; no entanto, as chamas — que despontaram na quarta-feira 22 perto da vila de Saumos, a 40 km de Bordeaux — ainda não foram controladas. Várias estradas da região, incluindo as que levam a Cap Ferret, foram fechadas. Oitenta casas foram destruídas pelo fogo.
Um segundo incêndio na região, mais ao sul, perto do popular balneário de Biscarrosse, também consumiu mais de 2.500 hectares, informou nesta sexta-feira o prefeito de Landes, Gilles Clavreul. Lá, 25 mil pessoas deixaram suas casas.

Embora mais de 600 bombeiros trabalhem neste incêndio, “a frente de fogo continua muito crítica”, disse Clavreul. “Há muitos novos focos de incêndio surgindo à frente do incêndio principal. A situação é altamente dinâmica e desfavorável.”
Sob condições de extrema secura e impulsionados por ventos fortes, os dois incêndios devastaram florestas de pinheiros no litoral, com chamas que chegaram a 10 metros de altura. As cenas são semelhantes às que tomaram a região há quatro anos, quando um incêndio florestal consumiu mais de 30 mil hectares no sudoeste francês, deslocando cerca de 50 mil pessoas.

Emergência
O governo da Espanha, que tomou a medida excepcional de declarar emergência nacional devido aos incêndios florestais que afetam, inclusive, áreas próximas a Madri, se juntou à França ao demandar ajuda da União Europeia diante da “situação dramática”. O estado de emergência — medida que permite ao governo central assumir o controle de poderes e responsabilidades normalmente sob a alçada das regiões autônomas — só havia sido declarado uma vez antes: durante o apagão nacional de abril de 2025.
“Estamos vivendo uma situação dramática, não apenas em diferentes províncias espanholas, mas também em regiões de países vizinhos”, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sobre os incêndios que “estão devastando milhares de hectares”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou ter acionado o mecanismo de proteção civil da União Europeia. “Em breve, poderemos contar com reforços de duas aeronaves croatas e duas portuguesas, além de dois helicópteros pesados da República Tcheca e da Eslováquia”, disse ele, descrevendo a situação como “extremamente intensa”.

Há 32 incêndios florestais de variados tamanhos e intensidades ativos na França. Neste ano, 50 mil hectares já foram consumidos pelo fogo — quase quatro vezes o total registrado na mesma data do ano passado. Em toda a União Europeia, aliás, houve quebra de recorde: dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais mostram que, até 22 de julho, a área queimada era cerca de duas vezes maior do que a média registrada até essa data nas últimas duas décadas.
Na Espanha, o governo regional de Madri solicitou assistência, descrevendo a situação como de “extrema gravidade” após incêndios florestais ameaçarem comunidades próximas à capital e na província vizinha de Ávila, fazendo mais de 10 mil pessoas fugirem. Informou que pelo menos quatro incêndios ativos poderiam avançar “além da capacidade atual de combate ao fogo”. O premiê Sánchez chamou uma reunião de resposta a emergências no Palácio de Moncloa nesta manhã, enquanto o serviço meteorológico nacional alertava que o risco de novos incêndios permanecia muito alto ou extremo em grande parte do país.
Mobilizamos “todos os recursos disponíveis. Estaremos ao seu lado durante a emergência e a recuperação”, disse ele.
A nação ibérica registrou 29 grandes incêndios florestais até o momento neste ano. A média da última década para o mesmo período: 9.

