
O estado da Baixa Saxônia, na Alemanha, autorizou nesta quarta-feira, 22, a subsidiária da francesa Framatome, a ANF, a fabricar combustível nuclear em parceria com a estatal russa Rosatom, em uma decisão que reacende preocupações sobre a presença da Rússia em um setor considerado estratégico.
A produção será realizada na fábrica da ANF em Lingen, cidade próxima à fronteira com os Países Baixos. O projeto prevê a participação de especialistas russos e o uso de equipamentos fornecidos pela Rosatom, o que gerou questionamentos relacionados à segurança nacional.
Em comunicado, o Ministério Federal do Meio Ambiente afirmou que a autorização foi concedida porque a legislação obriga as autoridades a aprovar pedidos que atendam a todos os requisitos legais e cujos riscos possam ser mitigados por meio de “medidas apropriadas e condições impostas pelas autoridades”.
O ministério, no entanto, destacou que a decisão poderá ser revisada caso “sejam identificados novos riscos”, especialmente ligados à segurança nacional. A pasta também reiterou que já havia manifestado ressalvas sobre o projeto devido à guerra travada pela Rússia na Ucrânia e à postura do governo russo em relação à União Europeia e à Alemanha, considerados “adversários”.
Apesar das críticas, o governo alemão afirmou que não possui base jurídica para impedir a cooperação. Segundo o ministério, apenas a adoção de sanções da União Europeia que também “atinjam o setor nuclear” russo permitiria barrar o projeto.

