O pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, deu a entender que “muitas” urnas eletrônicas usadas no Brasil “têm a mesma origem” das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic, informação desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em diversas ocasiões.
Durante um evento com diplomatas, Flávio citou relatórios da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados, que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral na Venezuela. Os documentos foram tornados públicos pelo governo americano na semana passada.
“Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país. Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o senador nesta terça-feira (21).
A declaração ocorreu no encontro “Debatendo o Brasil”, que contou com a participação de representantes diplomáticos de 42 países. O evento foi promovido pelo site The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação, em Brasília.
Flávio pediu aos países que “mandem a maior quantidade de observadores possíveis” para acompanharem as eleições deste ano. Segundo ele, seu apelo não representava um questionamento ao sistema de votação.
“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”, afirmou o senador.
Em 2020, o TSE informou que “são falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil”, pois “todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”.
“Dessa forma, o TSE reitera que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”, enfatizou o TSE.
O evento com a presença dos diplomatas não era público, mas o conteúdo do discurso de Flávio foi reproduzido por diversos veículos de imprensa que tiveram acesso à gravação das declarações do senador.
Em 2023, o TSE tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível por abuso de poder político e desvio de finalidade por realizar uma reunião com embaixadores, em julho de 2022, na qual criticou a segurança das urnas eletrônicas. Na ocasião, a reunião, realizada no Palácio da Alvorada, foi transmitida ao vivo pela TV Brasil.
Flávio diz que “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro”
Após a repercussão, a equipe responsável pela pré-campanha de Flávio divulgou uma nota oficial, na qual o senador nega que tenha questionado a segurança do sistema de votação eletrônico brasileiro. “Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil”, disse.
Além de Flávio, também assinam o comunicado o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha, e a advogada Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da pré-campanha.
Segundo a nota, Flávio “se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) O fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) Um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas”.
“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, afirmam.
A equipe de Flávio afastou “qualquer descontextualização das falas do pré-candidato” e reafirmou “sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.
Smartmatic não fornece urnas eletrônicas ou softwares para as eleições brasileiras, diz TSE
Em uma série de notas oficiais ao longo dos últimos anos, o TSE reforçou que a empresa venezuelana Smartmatic não fornece urnas eletrônicas ou softwares para as eleições brasileiras.
Em matéria publicada em 14 de novembro de 2020, e atualizada em 8 de julho de 2026, o Tribunal afirmou que a Smartmatic prestou serviços de conexão de dados e voz para o TSE, atividade sem ligação com o sistema eletrônico de votação. A empresa chegou a participar da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.
“A Smartmatic celebrou contratos com o TSE em outras ocasiões somente para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo”, disse o TSE.
Em 4 de outubro de 2022, o Tribunal desmentiu um boato nas redes sociais de que a Smartmatic teria o software das urnas eletrônicas. “São falsas as mensagens que circularam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil”, reiterou o TSE.
Veja a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro
“Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa:
1) O fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores);
2) Um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas. Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional.
Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas, pois contribuem para o ‘aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições’”.

