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O ex-deputado Eduardo Bolsonaro ganhou um green card concedido pelo governo do presidente americano, Donald Trump, documento que autoriza um cidadão estrangeiro a viver, trabalhar e estudar nos Estados Unidos por tempo indeterminado, sem necessidade de permissões adicionais. A medida também vale para esposa e filhos do ex-parlamentar.
Eduardo mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Sua residência mais recente é uma mansão de mais de R$ 6 milhões localizada em Southlake, uma área nobre no estado do Texas, conforme revelado pelo Intercept.
Permissões amplas
Na prática, o green card garante a Eduardo e sua família quase todos os direitos de um cidadão americano, com exceção, entre alguns outros pontos, do direito de votar em eleições federais e de obter um passaporte dos Estados Unidos. Assim, eles deixam de depender de vistos temporários ou autorizações para permanecer no país.
As principais permissões e direitos incluem:
- Moradia e trabalho: viver e trabalhar livremente em qualquer estado ou território americano, para qualquer empregador, ou abrir o próprio negócio;
- Estudos: acesso a escolas públicas e a possibilidade de pagar taxas de matrícula locais (mais baratas) em universidades americanas;
- Viagens: sair e retornar aos Estados Unidos, desde que a residência principal continue no país. Viagens com duração superior a 180 dias ou 1 ano podem exigir permissão prévia;
- Patrocínio familiar: solicitar residência permanente para cônjuges e filhos solteiros;
- Benefícios: acesso à previdência social e programas de saúde do governo (Medicare), caso cumpra os requisitos de tempo de contribuição;
- Cidadania: após 5 anos de residência contínua (ou 3 anos se casado com um cidadão americano), o portador pode solicitar a cidadania americana.
Fora as restrições relacionadas a eleições e passaporte, o status migratório pode ser revogado se o residente passar longos períodos fora dos Estados Unidos sem a documentação adequada, ou se cometer crimes graves.
A informação sobre o green card de Eduardo foi revelada primeiro pelo jornal Folha de S.Paulo.
Extradição
Além disso, para Eduardo, o documento também vem em momento oportuno. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado a 4 anos e 2 meses de reclusão por coação no curso do processo, ficando comprovado, segundo a corte, que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atuou nos Estados Unidos para interferir no julgamento em que o pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
A denúncia informa que ele mesmo afirmou ter feito gestões para que o governo Trump impusesse sanções a autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país. No ano passado, o primeiro tarifaço americano contra o Brasil foi acompanhado de uma carta do presidente dos Estados Unidos direcionada ao ex-mandatário brasileiro em que definiu a ação penal como uma “caça às bruxas” e defendeu o fim imediato do julgamento. Além disso, o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, tornou-se alvo da Lei Magnitsky, ferramenta do governo americano criada para sancionar estrangeiros que cometeram violações graves de direitos humanos ou de corrupção em larga escala.
Agora, com o green card, a extradição para que Eduardo Bolsonaro cumpra a pena no Brasil, já considerada uma possibilidade remota, fica ainda mais difícil.
Tensões
A autorização foi concedida em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, o governo Trump impôs um novo tarifaço de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, culpando, desta vez, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo que autoridades americanas descreveram como “má-fé” nas negociações.
Na segunda-feira 20, o petista voltou a sugerir que as tarifas, juntamente agora com o green card, são indicação de que Washington tenta interferir nas eleições presidenciais brasileiras. Em tom irônico, ele convidou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a declarar abertamente o apoio ao seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL): “Que venha”, disparou durante a convenção nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), na sede nacional da sigla em Brasília.

