A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 30 dias o direito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de receber visitas também impede, ao menos por ora, o encontro com o presidente da Argentina, Javier Milei.
Moraes alega que Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares impostas no regime de prisão domiciliar humanitária, que o ex-presidente cumpre desde março de 2026.
O ministro publicou a decisão no início da noite desta sexta-feira (17) momentos depois de a defesa do ex-presidente pedir autorização para que Milei o visitasse durante sua passagem pelo Brasil.
No pedido encaminhado ao STF, os advogados informam que a visita seria realizada no dia 25 de julho, a partir das 16h. A solicitação também inclui autorização para a entrada dos integrantes da comitiva oficial argentina na residência de Bolsonaro, em Brasília.
Segundo a defesa, o encontro teria caráter institucional e diplomático e ocorreria exclusivamente na residência do ex-presidente, sem deslocamentos ou alterações nas demais condições impostas pelo Supremo.
O pedido sustenta que a visita não representaria risco ao cumprimento das medidas cautelares.
Milei é um dos principais aliados internacionais de Bolsonaro e, em diversas ocasiões, criticou as investigações conduzidas contra o ex-presidente brasileiro.
O argentino também já classificou a situação enfrentada por Bolsonaro como um caso de “perseguição judicial”.
Viagem ao Brasil
A passagem de Milei pelo Brasil coincide com a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, quando o partido deverá oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O presidente argentino afirmou, na semana passada, que pretende participar do evento em apoio ao senador e aproveitar a viagem para visitar Jair Bolsonaro.
A aproximação entre Milei e a família Bolsonaro ganhou novo capítulo no fim de junho, quando o presidente argentino recebeu Flávio Bolsonaro em Buenos Aires.
Após o encontro, Milei publicou uma foto ao lado do senador e escreveu: “Vem aí a maré azul para o Brasil”. Flávio respondeu agradecendo o apoio e afirmou que a “maré azul” libertará “todas as Américas”.

