O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acertou a escolha do deputado e ex-prefeito Patrus Ananias (PT-MG) como seu candidato a governador de Minas Gerais. Os dois discutiram o assunto na quinta-feira (16), após Patrus já ter indicado previamente a dirigentes petistas que aceitaria concorrer.
A candidatura ainda não foi anunciada. O deputado federal pediu ao presidente da República um prazo para fazer novas conversas com petistas mineiros antes de comunicar publicamente que concorrerá.
O partido planeja uma reunião de líderes petistas no estado para os próximos dias, provavelmente na segunda-feira (20), que deverá aclamar Patrus Ananias como candidato.
O anúncio da candidatura, já dada como certa por aliados de Lula, encerrará o que era considerado pelos aliados do presidente como o maior problema de sua pré-campanha de reeleição: a indefinição sobre sua aliança eleitoral em Minas Gerais. O estado tem o segundo maior eleitorado do país.
Petista histórico, Patrus é benquisto dentro do partido, mas não era o plano A nem o plano B de Lula para a disputa do governo mineiro. O chefe do governo precisa de um candidato forte no local para dar volume à sua campanha presidencial em território mineiro.
Primeiro, o presidente da República queria lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que nunca demonstrou entusiasmo com a possibilidade. Depois, a favorita de Lula era a ex-prefeita de Contagem (MG), Marília Campos (PT). Ela também contrariou o chefe do governo, e deverá disputar uma vaga no Senado.
Além disso, a cúpula petista sondou o pré-candidato do PDT, Alexandre Kalil, que rejeitou uma aliança com Lula já no primeiro turno. Kalil foi aliado do atual presidente na eleição de 2022, mas a relação entre ele e o PT se desgastou nos meses e anos seguintes.
Em 24 de junho, Lula indicou apoio à ideia do PT mineiro de lançar uma candidatura própria. A medida aumentou a pressão para Marília Campos concorrer, mas ela manteve sua agenda de pré-candidata ao Senado.
O nome de Patrus surgiu entre petistas mineiros depois da negativa de Marília, e Lula aceitou a sugestão. O deputado indicou a dirigentes do partido que aceitaria a candidatura. Nesta quarta, teve uma conversa presencial com Lula para oficializar a aliança.
Agora, as conversas serão sobre quem ocupará a vice e quem disputará uma cadeira no Senado pela outra vaga disponível na chapa, uma vez que Marília Campos será candidata a senadora na aliança. Poderão compor a chapa o empresário Josué Gomes da Silva e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, ambos do PSB.
Patrus Ananias tem 74 anos. Foi prefeito de Belo Horizonte de 1993 a 1996 e ministro nos primeiros governos petistas. Está em seu quarto mandato como deputado federal.
Agora, a cúpula do PT considera que o último palanque de Lula sem resolução é de Goiás. O nome favorito do presidente da República para concorrer ao governo local era o da deputada Adriana Accorsi (PT-GO), mas ela indicou que não pretende concorrer.
Todas as pendências nas alianças de Lula e dos outros pré-candidatos a presidente da República precisam ser resolvidas nas próximas semanas. O período de convenções partidárias —quando as legendas escolhem seus candidatos e formalizam seus apoios— vai de 20 de julho a 5 de agosto.
O principal adversário de Lula na eleição presidencial deverá ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também tem dificuldades para fechar sua aliança em Minas Gerais.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostra o petista com 45% das intenções de voto para o segundo turno, contra 37% de Flávio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

