O Senado aprovou nesta terça-feira a MP do Frete, estabelecendo novos pisos mínimos para o transporte de cargas. A medida evitou uma greve iminente nas rodovias, mas o governo Lula enfrenta um impasse político devido à polêmica anistia de multas para manifestantes das eleições de 2022.
O que estabelece a nova MP do Frete aprovada pelo Senado?
A medida reestrutura as regras do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Ela define uma tabela de preços mínimos (o piso do frete) que deve ser atualizada semestralmente ou sempre que o óleo diesel subir mais de 5%. O objetivo é garantir que o valor pago pelo transporte cubra custos básicos como combustível, pedágio e manutenção do veículo, evitando que os caminhoneiros trabalhem com prejuízo.
Por que a anistia das multas de 2022 é o ponto mais polêmico?
Durante a tramitação no Congresso, foi incluído um trecho que perdoa as multas aplicadas aos caminhoneiros que bloquearam rodovias após as eleições presidenciais de 2022. Enquanto defensores dizem que as punições foram perseguição política, o governo argumenta que a anistia fere o Estado de Direito e a autoridade das forças de segurança que aplicaram as multas na época.
Quais são as punições para quem descumprir os valores da tabela?
A regra endurece a fiscalização. Empresas ou transportadoras que contratarem fretes por valores abaixo do piso estipulado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) estarão sujeitas a multas pesadas. Essas punições são de natureza administrativa e podem variar entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, dependendo do tamanho da empresa e se ela é reincidente no erro.
Como o governo Lula pretende lidar com o texto aprovado?
O Planalto já sinalizou que o presidente deve vetar o trecho da anistia das multas. No entanto, essa escolha é um risco político: se vetar, Lula pode afastar ainda mais a categoria dos caminhoneiros, que já é historicamente ligada à oposição. Se sancionar, estará abrindo mão de punições que o próprio governo considerava essenciais para manter a ordem nas estradas.
Qual foi a reação do setor do agronegócio e das empresas?
Representantes do agronegócio criticam a medida por considerá-la uma intervenção estatal excessiva na economia. Eles defendem que o preço deveria ser definido pela lei da oferta e da procura, e não por uma tabela fixa. Já as empresas de transporte alertam para a insegurança jurídica que as punições severas podem causar no setor produtivo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

