O Irã pediu que rebeldes hutis do Iêmen se preparem para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota petrolífera do Mar Vermelho, caso os Estados Unidos ataquem infraestruturas da rede energética iraniana, disseram fontes ouvidas à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira, 16.
Uma das fontes ouvidas pela agência afirma que o grupo chegou a concluir preparativos para atacar embarcações — posicionando mísseis e drones perto do estreito de Bab el-Mandeb, trecho que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e, através do Canal de Suez, leva ao Mar Mediterrâneo — e aguardava a ordem para iniciar a ação.
Com o Estreito de Ormuz já fechado, quaisquer ataques dos hutis a embarcações ou portos no Mar Vermelho deixariam as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio interrompidas simultaneamente, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo do Irã com os Estados Unidos.
Uma quantidade significativa de petróleo do Golfo já foi desviada para o Mar Vermelho através de um oleoduto saudita, e essa hidrovia agora transporta cerca de 7% do fornecimento global de energia. Como a própria Arábia Saudita já desviou 70% de suas exportações de energia através de seu porto de Yanbu, no Mar Vermelho, quaisquer ataques diretos a esse porto também seriam um grande problema para os mercados de petróleo.
Até o momento, os bombardeios iranianos não atingiram as instalações de petróleo e gás das monarquias do Golfo. O regime dos aiatolás alertou, porém, que retaliaria caso sua própria infraestrutura energética fosse atacada, após uma ameaça de Trump. O presidente americano declarou na terça-feira que atacaria as usinas elétricas e as pontes do Irã na próxima semana se as autoridades do país não retomarem as negociações.
Na segunda-feira, em um sinal de escalada das tensões na região, os hutis – que fazem parte do chamado “eixo da resistência”, uma rede de movimentos armados financiados e apoiados por Teerã – dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle, rompendo uma trégua de quatro anos.
Expansão de bombardeios
Nesta quinta, Estados Unidos e Irã prosseguiram com os ataques e não há sinais de trégua para o conflito no Oriente Médio, após uma semana de retomada dos bombardeios.
O Exército americano concluiu na quarta-feira “uma série de ataques noturnos contra o Irã”, informou um comunicado militar, que citou ações contra alvos militares na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul, para “reduzir a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros inocentes” no Estreito de Ormuz.
Uma primeira série de ataques foi lançada durante a manhã, quando as forças americanas atingiram “locais de defesa costeira na ilha de Grande Tumb”, segundo o Centcom, comando militar responsável pelo Oriente Médio.
No quinto dia de trocas de disparos, os Estados Unidos ampliaram seus alvos: a mídia estatal iraniana reportou explosões em várias cidades do norte, sul e oeste, bem como nos arredores de Teerã. O sistema de defesa aérea foi acionado nesta quinta-feira na capital. Até então, o fogo havia se concentrado mais no sul.
“Ataques bárbaros”
Explosões foram ouvidas nas cidades de Bandar Abbas, Rask e na ilha de Qeshm, informou a imprensa estatal iraniana. Um hospital em Ahvaz, no sudoeste do país, foi esvaziado após os ataques americanos na região e os pacientes foram transferidos para outros centros médicos, incluindo 211 que faziam quimioterapia, segundo autoridades iranianas.
O bombardeio ao instituto de tratamento de câncer infantil foi um “ataque bárbaro, que remete às atrocidades de Israel contra instalações de saúde, causou grave sofrimento e ansiedade às crianças hospitalizadas”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei. “Isso constitui um crime de guerra covarde contra os seres humanos mais inocentes: crianças que lutam bravamente por suas vidas.”
Mais de 30 civis morreram desde a retomada dos confrontos, segundo o governo iraniano.
Revide
Os confrontos foram retomados em 7 de julho após uma série de ataques contra navios no Estreito de Ormuz, atribuídos ao Irã, abalando uma trégua alcançada entre os dois países em abril. Apesar da tensão, o presidente americano, Donald Trump, celebrou o “gesto de boa vontade” de Teerã ao anunciar a libertação de um cidadão americano detido, segundo ele, desde 2024 no Irã.
Por sua vez, o Exército iraniano anunciou nesta quinta que lançou ataques com drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, segundo a televisão estatal. Entre os alvos estavam “sistemas de radares e um sistema Patriot de defesa aérea na base aérea Ali Al Salem”, no Kuwait, assim como instalações militares americanas na base aérea Sheikh Isa, no Bahrein, segundo a emissora IRIB.
O Exército da Jordânia afirmou nesta quinta-feira que interceptou oito mísseis lançados pelo Irã contra seu território, depois que a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico iraniano, anunciou um ataque contra uma base americana lá. Também foram relatados ataques contra o Curdistão iraquiano.

