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PF aponta que ex-ministro e ex-deputado recebiam propina | Blogs | CNN Brasil


O ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro José Carlos Oliveira e o ex-deputado federal Euclydes Marcos Pettersen Neto (Republicanos-MG) foram indiciados pela PF (Polícia Federal) sob suspeita de integrar o esquema bilionário de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O relatório final do primeiro inquérito do caso, de 839 páginas, aponta que os políticos receberam propina da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).

“EUCLYDES MARCOS PETTERSEN NETO (Deputado Federal): Identificado como o “Herói E” mais bem remunerado, recebendo pelo menos R$ 14.700.000,00, mediante transferências fracionadas (“smurfing”) para empresas como FORTUNA LOTERIAS e CONSTRUTORA V L H LTDA”, diz a PF.

“O Deputado Federal EUCLYDES PETTERSEN recebia pagamentos recorrentes provenientes dos cofres da CONAFER (ou seja, dos descontos indevidos), via pessoas e empresas interpostas. Há suficientes provas da materialidade e indícios de autoria de que o Deputado Federal era figura essencial ao esquema, pois concedia acesso a CARLOS ROBERTO aos políticos que tinham alguma ingerência na indicação de nomes para a Presidência do INSS”, relatou a investigação ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Sobre o ministro, também conhecido como Abou Yasser, a PF diz que ele “foi essencial” para destravar um acordo suspenso e liberar R$ 15,3 milhões retidos, permitindo que o esquema de descontos indevidos continuasse sem a validação dos documentos de filiação questionados.

A investigação apontou que o então ministro do Trabalho e Previdência era tratado pelos investigados como Abou Yasser ou “São Paulo”.

“Em 07/02/2023, o operador determina que se realizem pagamentos aos agentes públicos e políticos envolvidos no esquema, incluindo o deputado federal EUCLYDES. Então, o intermediário diz que iria fazer “agora”, que “São Paulo já estava na planilha” e que havia mandado “depositar o cheque”. Nesta mensagem, há o print de uma imagem mostrando uma notificação do WhatsApp recebida de ABOU YASSER, com a foto de JOSE CARLOS OLIVEIRA, dizendo “Oi irmão! Obrigado”, detalha a PF.

A investigação também destaca que, no dia 07/12/2022, o Careca do INSS determina que seu intermediário pague “100 do Oliveira e 100 do Italiano” (Stefanutto). Imediatamente depois, enviou uma mensagem de prestação de contas contendo dois pagamentos de R$ 100 mil, para São Paulo 1 e São Paulo 2.

Em defesa, o ex-deputado Euclydes negou participação nos fatos e afirmou que as conclusões “foram formadas sem contraditório”.

“Não tenho qualquer participação nos fatos e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS. Indiciamento é ato unilateral da polícia: não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento”, disse Euclydes em resposta à CNN.

A CNN também aguarda manifestação do ex-ministro. A Conafer não se pronunciou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.



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