InícioBrasilSTF julgará se presidente de tribunal de contas pode vetar medidas cautelares

STF julgará se presidente de tribunal de contas pode vetar medidas cautelares


Por meio de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) protocolada na última sexta-feira (3) pelo PDT, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir se é ou não compatível com a Constituição Federal o poder do presidente de um tribunal de contas de derrubar suspensões de licitações, concursos públicos, afastamento de autoridades, entre outras medidas cautelares. O relator é o ministro Alexandre de Moraes.

A ação discute um trecho do regimento interno do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS). A regra diz que o presidente pode suspender, “em caráter excepcional, havendo urgência” a determinação de medidas cautelares ou de suspensão de atos determinadas por outros conselheiros. Fazendo isso, o processo deve entrar na pauta da próxima sessão.

Para o partido, o que ocorre, na prática, não é uma mera suspensão das medidas, mas a derrubada do “resultado útil do controle externo”, criando um superpoder capaz de interferir de forma ilegítima na atuação técnica das auditorias.

“O que se questiona é a constitucionalidade da própria norma regimental que, sem autorização constitucional ou legal, criou mecanismo excepcional apto a suspender, por decisão monocrática do Presidente, a eficácia de medidas cautelares regularmente deferidas pelos órgãos competentes da Corte de Contas”, explica a petição inicial.

Com isso, a sigla pede que o Supremo declare a inconstitucionalidade da regra, por violação aos princípios do juiz natural, do contraditório e da ampla defesa, do devido processo legal e dos dispositivos da Constituição que tratam do Tribunal de Contas da União (TCU) e que deveriam, nesse sentido, ser aplicados para preservar a simetria entre os órgãos.

Os tribunais de contas cresceram em protagonismo no debate público após o caso Master. O TCU entrou no caso para apurar se o Banco Central (BC) adotou corretamente o rito que culminou na liquidação do Banco Master. Em meio a isso, abriu-se uma vaga no órgão, que foi disputada por parlamentares como a deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) e o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), mas que acabou levando à vitória de um petista, o ex-deputado federal Odair Cunha.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o TCE-RS. O espaço segue aberto para manifestação.



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