A conjuntura no Maranhão está fervendo. Estamos diante do pior cenário eleitoral desde a derrota, nas urnas, da oligarquia Sarney para Flávio Dino, em 2014, à época no PCdoB. Naquele ano, a vitória eleitoral estava em consonância com um sentimento democrático e progressista dos setores populares que ansiavam pela alternância de poder e o fim das práticas coronelistas tão arraigadas nas instituições e no modo de governar no estado, marcando a ruptura de quase 50 anos de domínio político da oligarquia no estado. Sua vitória se deu no marco da construção de uma frente ampla, na coligação “Todos pelo Maranhão”, reunindo os partidos PCdoB, PSDB, PSB, PP, SD, PROS, PDT, PTC e PPS.
O Partido dos Trabalhadores (PT), por sua vez, atuou com posições erráticas. Nessa eleição, o PT esteve na coligação sarneysta “Pra Frente Maranhão”, encabeçada por Edson Lobão Filho (PMDB). No entanto, já no início do governo Dino, assume secretarias e cargos, abrindo mão de se localizar de forma crítica e alinhado às demandas dos movimentos sociais e populares, primando por acordos e negociações na superestrutura do estado. Nesse ponto, os setores majoritários da esquerda do Maranhão abriram mão de um projeto próprio, sem ampliar sua representação no parlamento e nos executivos municipais. Vale destacar que, nesse pleito, o PSOL optou pela candidatura própria apontando os limites dessa frente, com efeitos visíveis para o conjunto da classe trabalhadora.
Após eleito, Dino herdou um estado em recessão econômica, marcadamente empobrecido, mergulhado em profundas desigualdades sociais, com os piores indicadores sociais do país. Governá-lo seria um grande desafio, considerando o alinhamento político dos distintos agrupamentos que compunham a referida frente ampla.
O governo Dino operou mudanças pontuais importantes nas políticas públicas e sociais. Projetos como o Plano Mais IDH, o Programa Escola Digna, a criação dos Institutos de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), a construção dos Hospitais Macrorregionais, Programa Mais Asfalto são exemplos de iniciativas que se diferenciam dos anos de sarneysmo. Em que pesem os avanços democráticos e os projetos implantados em suas gestões, Dino repetiu os erros dos governos de conciliação de classes, numa perspectiva conservadora de governabilidade, que atendia mais às demandas do mercado do que aos anseios da população, exigências impostas pelos próprios limites da frente ampla.
De fato, antes mesmo da saída de Flávio Dino do partido que o elegeu, o PCdoB, já havia uma aliança preferencial com setores conservadores do estado, materializando-se no tratamento dispensado por seu governo nas questões relativas às políticas de regularização fundiária, políticas públicas para os indígenas e quilombolas, a garantia da tutela de propriedade às comunidades tradicionais, a não realização de concursos públicos para áreas estratégicas, a manutenção do modelo de desenvolvimento econômico, com a entrega de secretariais estratégicas, a exemplo da Secretaria de Meio Ambiente para setores ruralistas, entre outras medidas.
Foi diante desse cenário, da adoção de medidas antipovo, do estreitamento das relações com setores do agronegócio, da indústria e do comércio e do distanciamento dos movimentos sociais, que o caminho para Carlos Brandão foi pavimentado. Brandão se estabelece na política a partir da “herança” familiar, muito comum à política tradicional brasileira. Com uma trajetória marcada por sua localização em partidos tradicionais da direita, como o PSDB e o PRB, ocupou diversos cargos nos governos ligados à oligarquia Sarney e chegou ao governo do estado, alçado por Dino ainda no seu primeiro mandato.
O mandato de Carlos Brandão (2023-2026) vem sendo marcado por uma política de favorecimento familiar e uma recomposição das estruturas do governo que minou nomes e acordos estabelecidos com o seu então grupo político. Brandão, na verdade, é a consequência do projeto de conciliação de classes adotado pela maioria da esquerda no Maranhão, retrocedendo ao modelo oligárquico e familiar, exaurindo a frente ampla, culminando com a ruptura com o vice-governador Felipe Camarão (PT) e com a indicação do próprio sobrinho, Orleans Brandão, à pré-candidatura ao governo do estado e ampliando a presença do poder executivo sobre a Assembleia Legislativa, sobre o Ministério Público, sobre o Tribunal de Contas e várias instituições de Estado.
Braide, em sua gestão municipal, injetou dinheiro público em escolas comunitárias e grandes obras de infraestrutura com impacto visual. Ao longo dos mandatos enfrentou greves importantes de setores estratégicos como educação, limpeza pública, transporte e assistência social e se posicionando publicamente com acenos ao eleitorado conservador, ao empresariado e ao agronegócio, frações da sociedade politicamente alinhados ao bolsonarismo, a exemplo da sua pré-candidata a vice-governadora
Como alternativa à pré-candidatura da oligarquia, desponta o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), que estava em seu segundo mandato à frente da prefeitura de São Luís. Braide, em sua gestão municipal, injetou dinheiro público em escolas comunitárias e grandes obras de infraestrutura com impacto visual. Ao longo dos mandatos enfrentou greves importantes de setores estratégicos como educação, limpeza pública, transporte e assistência social e se posicionando publicamente com acenos ao eleitorado conservador, ao empresariado e ao agronegócio, frações da sociedade politicamente alinhados ao bolsonarismo, a exemplo da sua pré-candidata a vice-governadora.
O papel da esquerda
Estamos numa quadra histórica decisiva, com o risco do retorno da extrema direita à Presidência da República e seu crescimento no Congresso Nacional. Nossa principal missão em 2026 é reeleger Lula presidente, sem perder o sentido estratégico de nossa luta.
O Maranhão, historicamente, demonstra uma tendência de voto alinhada à esquerda em eleições presidenciais, com votações expressivas para Lula (PT). Contudo, isso não se reflete nas proporcionais. Embora a esquerda lidere votações para presidente, o estado segue refém de candidaturas com heranças familiares e de grupos que negociam apoio político baseados em máquinas administrativas municipais.
O Maranhão, historicamente, demonstra uma tendência de voto alinhada à esquerda em eleições presidenciais, com votações expressivas para Lula (PT). Contudo, isso não se reflete nas proporcionais. Embora a esquerda lidere votações para presidente, o estado segue refém de candidaturas com heranças familiares e de grupos que negociam apoio político baseados em máquinas administrativas municipais.
O alinhamento político dos setores majoritários da esquerda à oligarquia e a adaptação à superestrutura, somado à pouca capilaridade dos demais setores da esquerda, contribui para sua falta de identidade e de uma atuação política e ideológica mais contundente. Nesse sentido, PT, PCdoB e PSOL podem cumprir importante papel.
O momento exige a construção da unidade para enfrentar a extrema direita e as pré-candidaturas de Orleans Brandão e Eduardo Braide, apresentando um programa em defesa da população maranhense pautado no combate às desigualdades sociais, às violências no campo e nas cidades, ao modelo econômico baseado em commodities e que rompa com o modo de governar pautado no clientelismo.
É fundamental que o PSOL se volte a esse processo de maneira altiva se portando como ferramenta útil à construção unitária da esquerda maranhense para enfrentar esses desafios. A esquerda cresce quando combina disputa institucional, realismo com radicalidade e ação imediata concreta com perspectiva estratégica.
Unidade da esquerda no Maranhão para reeleger Lula e derrotar as oligarquias!
Por uma alternativa de esquerda que construa sonhos e cresça na sua diversidade!
Antônio Pedrosa Candidato ao governo em 2014
Odívio Neto Candidato ao governo em 2018
Rielda Alves Membra do Diretório Municipal do PSOL em São Luís

