O presidente Lula (PT) voltou a discursar nesta quinta-feira (2) pelo fim da violência contra as mulheres e afirmou que vai endurecer a pena para quem cometer crime de feminicídio, em meio ao desgaste do seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com o eleitorado feminino.
“Estamos fazendo um pacto contra a violência contra a mulher. O pacto contra o feminicídio. E nós vamos endurecer. O cidadão que bater na mulher vai ter que ser punido, vai ter que usar tornozeleira. E aumentar a pena para quem mata mulher”, disse Lula, durante agenda no Rio Grande do Norte.
Na última semana, Michelle publicou vídeo dizendo ter sido humilhada e maltratada por Flávio. O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado do pré-candidato do PL, atacou a ex-primeira-dama e disse que mulher vota muito mal.
Desde o final do ano passado, Lula tem feito discursos contra o feminicídio em atos públicos.
“Nós só existimos porque nascemos de uma mulher. Então, se elas colocaram nós no mundo, precisamos aprender a respeitá-las. Igual você respeita a sua mãe, a sua irmã. Respeitar. E nada de violência. A gente vai levar muito a sério. E a Janja [primeira-dama] está responsável por isso no governo, no pacto, está o Supremo, o Senado e a Câmara”, continuou o presidente.
Lula participava da inauguração do Túnel Major Sales, na cidade de Luís Gomes. O túnel pertence ao ramal do Apodi, que integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional.
Mais tarde, durante cerimônia de entregas e de anúncios ligados à Ferrovia Transnordestina, em Quixeramobim, no Ceará, Lula voltou a falar sobre o assunto.
“Mulheres, todas as oportunidades que vocês tiverem de estudar, estudem. Porque para nós, homens, uma profissão é uma garantia de estabilidade, para nós e para nossa família, de arrumar emprego. Mas, para as mulheres, a educação é uma coisa a mais. É uma coisa chamada independência. Porque ninguém pode viver com um homem por causa de um prato de comida ou por causa de um aluguel”, disse Lula.
“A gente mora com quem a gente quiser, se a gente gostar da pessoa e se a pessoa tratar a gente bem”, continuou ele.
“Porque vocês, mulheres, já aprenderam a ir para o mercado de trabalho. Mas nós, homens, não aprendemos a ir para a cozinha ainda, lavar banheiro, trocar criança”, afirmou o petista.
Ao longo de seu mandato, Lula também acumulou uma sequência de declarações machistas.
Em abril do ano passado, por exemplo, ele chamou a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, de “mulherzinha” e, no mês anterior, disse ter nomeado uma “mulher bonita” (Gleisi Hoffmann) no ministério para “melhorar a relação” com o Congresso.
Pré-candidato à reeleição, o presidente faz nesta semana uma maratona de atos nos estados. A partir do dia 4 de julho, a legislação eleitoral proíbe participação de pré-candidatos em inaugurações de obras públicas.

