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Ao menos 25 mil estrangeiros deixam África do Sul após pressão de grupos anti-imigração


Cerca de 25 mil estrangeiros deixaram a África do Sul nas últimas semanas, após o fim de um prazo não oficial imposto por grupos anti-imigração para que estrangeiros em situação irregular deixassem o país, confirmou a Autoridade de Gestão de Fronteiras sul-africana. Milhares de pessoas, sobretudo cidadãos do Malauí e do Zimbábue, se concentraram nas cidades de Durban, Joanesburgo e Cidade do Cabo à espera de transporte para voltarem para seus países de origem. 

A situação desencadeou uma onda de violência e protestos anti-imigração, durante os quais mais de 900 pessoas foram presas nesta terça-feira, 30, segundo balanço divulgado pela polícia local. A maioria foi detida por falta de documentação, violência pública, abrigo de imigrantes ilegais e roubo.

O vice-comissário da polícia nacional, Tebello Mosikili, afirmou que 120 protestos foram registrados pelo país, sendo 108 pacíficos e 12 violentos que necessitaram da intervenção das forças de segurança devido a distúrbios.

Os atos de violência resultaram na morte de pelo menos dois cidadãos moçambicanos, um etíope e um malauiano. Em resposta à crise, governos de diversos países africanos organizaram meios de transportes para repatriar seus cidadãos, enquanto a Uganda anunciou um plano de evacuação para cerca de 750 pessoas.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, pediu calma e reiterou o compromisso do governo no combate à imigração ilegal. 

Já a líder do movimento anti-imigração afirmou que o grupo vai organizar manifestações semanais até que seus objetivos sejam alcançados. “Nos próximos seis meses, pedimos que nossos recursos nacionais sejam utilizados para expulsar os imigrantes ilegais deste país. De prédio em prédio, eles precisam ir embora”, disse ela.

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Os imigrantes são acusados de roubar empregos, aumentar a criminalidade e sobrecarregar os serviços públicos. Segundo cientistas sociais, as alegações carecem de evidências.

Três décadas após o fim do apartheid, a África do Sul continua desigual e um terço da população está desempregada. Apesar disso, o país continua sendo a maior economia da África e continua atraindo migrantes, em uma proporção relativamente baixa em comparação com os padrões globais – são cerca de 3 milhões, ou aproximadamente 4% do total da população.

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