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Público de Michelle pode fazer falta para campanha de Flávio, diz AP Exata


A crise entre Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou repercussão significativa no ambiente digital e levanta preocupações estratégicas para a pré-campanha do senador. Segundo o CEO da AP Exata e cientista de dados, Sergio Denicoli, ao WW, a situação é politicamente delicada e pode ter consequências eleitorais relevantes.

Repercussão nas redes sociais

A análise de Denicoli aponta que, curiosamente, a crise desviou as atenções de outro tema que pesava sobre Flávio Bolsonaro (PL). “Essa crise é bastante curiosa, porque quando ela surge, ela desvia o foco do Banco Master, que estava em cima da candidatura do Flávio”, afirmou.

Segundo o cientista de dados, a maioria dos comentários observados nas redes foi de condenação a Michelle — não pelo conteúdo do que ela disse, mas por ter exposto publicamente um problema que, na visão dos internautas, deveria ter sido resolvido no âmbito familiar.

Apesar das críticas, os dados monitorados indicam que Michelle não perdeu apoio. “Ela continuou com os índices que vinha mantendo”, explicou Denicoli. No dia seguinte à publicação dos vídeos, Flávio atingiu o melhor índice de positividade nas redes nos últimos 45 dias, com ampla defesa por parte dos seguidores.

Público cativo pode fazer falta

Para Denicoli, o ponto mais sensível da crise é o público que Michelle construiu ao longo do tempo. “Ela tem um público que é cativo a ela, e me parece que esse público pode fazer falta à campanha do Flávio“, disse.

Esse eleitorado é composto principalmente por mulheres e pelo segmento evangélico. “A direita tem uma dificuldade de conquistar o voto feminino. A Michelle, não”, destacou o especialista, acrescentando que pesquisas comprovam essa capacidade dela de superar o chamado “gap de gênero”.

O CEO da AP Exata também ressaltou que Michelle conseguiu filiar milhares de pessoas ao PL Mulher, consolidando uma liderança própria. Na avaliação dele, ao não ser incorporada à estratégia de campanha, ela acaba sendo “uma carta que está sendo descartada, talvez por falta de habilidade no núcleo familiar, mas que pode realmente fazer falta”.

Impacto político no PL

A analista de Política da CNN Jussara Soares também avalia que, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, tentou contornar a situação em busca de uma solução negociada com Michelle Bolsonaro (PL), para evitar o pior cenário: o anúncio da saída dela da presidência do PL Mulher.

“Na nota não se trata da briga com Flávio Bolsonaro (PL), mas não precisa”, observou, lembrando que os acontecimentos da semana anterior já tornavam o contexto evidente.

De acordo com a analista, havia irritação intensa tanto na pré-campanha de Flávio quanto na cúpula do PL. O argumento utilizado internamente era de que Michelle seria “muito ideológica” e que seu posicionamento, naquele momento, beneficiaria mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que o próprio campo político ao qual pertence.

Segundo Jussara Soares, uma fonte do partido teria dito que “a declaração de Michelle parece que ela esquece que a única chance de livrar Bolsonaro de cumprir a pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado é o filho dele, primogênito, ser eleito presidente da República”.

Com a saída da presidência do PL Mulher, Michelle fica, segundo a analista, “mais livre para fazer críticas ao enteado“.



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